Como sobreviver períodos em que nada parece dar certo?

Resiliência é a capacidade de um material voltar ao seu estado natural após alguma situação crítica e fora do comum

Resiliência

(Foto/Thinkstock)

A roda parece girar em falso. A sensação é de que nunca se trabalhou tanto e se obteve tão pouco resultado. Percepção típica de tempos de crise, ela vem acompanhada do medo de perder o emprego, do aumento de tarefas por causa das equipes cada vez mais enxutas, da pressão por maior produtividade e da exigência para fazer mais com menos.

Como uma tentativa de se mostrarem essenciais e de garantir seu cargo, os profissionais dão mais de si mesmos e dedicam mais horas ao serviço. Ao longo do tempo, isso leva a esgotamento físico e mental. “Há uma grande pressão por maior desempenho, mas as condições das empresas e do mercado dificultam esse processo, angustiando ainda mais os funcionários”, diz Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR).

Com isso, aumentam os casos de depressão, ansiedade e de crises de pânico. (Dados da Secretaria de Previdência Social indicam que os benefícios de auxílio-doença concedidos devido a transtornos de ansiedade subiram 27,6% nos últimos cinco anos.)

O desafio é duplo para o líder de recursos humanos, que não só precisa ajudar a mão de obra a sobreviver nesse cenário como também ele próprio navega por águas turbulentas. “O RH está no meio do sanduíche: pressionado pelos profissionais que estão numa posição desconfortável e também dos executivos que esperam que ele faça alguma mágica”, diz Ana Maria Rossi.

Como sobreviver a períodos como este, em que, por mais que se trabalhe, nada sai? Resiliência parece ser a palavra de ordem para responder a essa pergunta.

A ciência explica

Resiliência é diferente de resistência. Emprestado da física, o primeiro diz respeito à capacidade de um material voltar ao seu estado natural após alguma situação crítica e fora do comum. No âmbito da gestão de pessoas, “é a habilidade de se adaptar à situação e de superar uma adversidade, tornando-se um indivíduo ou profissional melhor”, diz Ana Maria.

Ser resistente, por sua vez, é apenas lidar com a situação — sem ganho algum. Uma pesquisa recente da Isma-Br mostra que somente 23% dos profissionais no Brasil têm características que levam à resiliência: entre eles, 93% têm a autoestima elevada, 86% praticam o autocontrole por meio de técnicas de relaxamento, e 81% são flexíveis para lidar com as frustrações. Entre os resistentes, 85% se queixam de dores musculares, e 74% usam de bebidas alcoólicas ou medicamentos para lidar com as adversidades do dia a dia.

Têm mais dificuldade para lidar com essas conjunturas os indivíduos agressivos (aqueles que sempre buscam um culpado por tudo) e os passivos (que engolem sapos com frequência). No fundo, ninguém nasce resiliente — mas algumas características ajudam a desenvolver essa qualidade.

Para a presidente da Isma-Br, são três as principais variáveis a ser praticadas: a autoestima, a flexibilidade e a rede de contatos (tanto a profissional quanto os amigos). A assertividade, a arte de dialogar racionalmente e verbalizar suas posições sem se indispor com o outro, também é uma característica fundamental quando “o bicho pega”.



Nesse ponto, é importante entender o processo encadeado por trás da tomada de decisão — campo de estudo de uma área relativamente nova da neurociência, a neuroeconomia. Claudia Feitosa-Santana, pós-doutora nessa matéria pela Universidade de Chicago, explica que quando decidimos por uma coisa ou outra levamos em conta dois níveis: o nosso (o que é bom para nós) e o dos outros (o que é bom para todos). Numa situação de perigo, como uma crise, “automaticamente agimos pelo nosso bem”, diz a especialista. Logo, ser resiliente não é aceitar a situação, mas, sim, ter consciência de que você pode estar fazendo algo do qual não concorda ou não gosta por uma causa que vai lhe beneficiar — como manter o salário, por exemplo.

Perda de energia

Outro conceito da física ajuda a entender a sensação de que nada vai para a frente nas empresas: a entropia. “É a grandeza que mede quanto de energia um sistema precisa para processar um resultado”, diz Cláudio Garcia, vice-presidente de estratégia e desenvolvimento corporativo da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH). Em outras palavras: a entropia indica a quantidade de esforço que um profissional deve empenhar até que a tarefa seja concluída. Quanto maior o resultado com menor energia, mais entrópico é o sistema.

O problema é que a crise aumenta a preocupação da liderança, que fica ainda mais desconfiada e centralizadora. Paralelamente, as organizações, para evitar custos desnecessários, também intensificam os controles, ao mesmo tempo em que reduzem as equipes. Resultado: muita luta e pouca finalização. Especialmente nos cenários adversos, as companhias deveriam investir em sistemas e processos que reduzissem o esforço do trabalhador pelo menos com as demandas administrativas.

Para Roberto Aylmer, especialista em gestão estratégica de pessoas e professor na Fundação Dom Cabral, cabe ao líder de RH puxar essa fila, atuando junto com os demais executivos. “Ele deve criar uma forma de gestão mais participativa, matricial e inteligente, com mais suporte da base”, afirma. Pensar em um propósito e causas coletivas também ajudam a enfrentar o turbilhão.

Diversos estudos apontam a ligação entre o propósito, o engajamento e a produtividade dos funcionários. Uma pesquisa da Korn Ferry Hay Group mostra que 1% de queda no engajamento impacta em até 22% a produtividade de um trabalhador. Segundo Elton Moraes, consultor sênior da consultoria, isso é resultado da perda de confiança nas lideranças e da falta de transparência das corporações durante a crise. “Ainda que a direção da empresa não saiba o que vai acontecer, ela precisa promover um contato direto com os trabalhadores, nem que seja para dizer que pode, sim, haver cortes, mas que ainda está contando com eles”, diz.

Se a comunicação for bem-feita e as pessoas se sentirem parte do todo, podem até sair fortalecidas do furacão. Para Cláudio Garcia, da LHH, situações de crises possibilitam criar mais vínculos e sensação de propósito entre as pessoas do que momentos de crescimento e sucesso. Ele cita um estudo da Darden School of Business, da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, que comprovou que os indivíduos que sofrem juntos formam laços que vão além do ambiente corporativo, contagiando clientes, fornecedores, parentes e sociedade. Ao gerar essas conexões sociais, as empresas contribuem para a formação da resiliência.

Fonte: EXAME.com

4 atitudes positivas que “estragam” sua felicidade no trabalho

De motivação a senso de responsabilidade, entenda o “lado B” de comportamentos tidos como saudáveis e recomendados por especialistas em carreira

4 atitudes positivas que estragam sua felicidade no trabalho

Profissional infeliz (kieferpix/Thinkstock)

Você diria que profissionais responsáveis, ambiciosos e motivados podem acabar sabotando sua própria felicidade no trabalho? Por mais insólita que pareça, essa possibilidade existe. E mais: nem é tão remota assim.

Tudo depende das razões por trás de comportamentos aparentemente inofensivos ou até saudáveis, explica o psicólogo israelense Tal Ben-Shahar, que ministra um popular curso sobre felicidade na Universidade de Harvard.

“A eletricidade é uma coisa ruim?”, questiona o professor em entrevista a EXAME.com. “Ela é ótima quando é usada para trazer mais luz para as nossas vidas, mas é péssima quando seu uso é a execução de um inocente em uma cadeira elétrica”.

A depender da sua finalidade, certas virtudes frequentemente recomendadas por especialistas em carreira também podem ter uma faceta sombria.

“Se você busca ser um profissional exemplar só porque deseja ser rico ou admirado, mais cedo ou mais tarde você terá problemas”, diz Ben-Shahar. “Se, por outro lado, você tem essa postura porque quer fazer o bem e ter uma vida cheia de significado, terá mais chances de ser feliz”.

Confira a seguir 4 atitudes positivas que podem comprometer a sua satisfação com a carreira:

1. Motivação

Ser capaz de encontrar razões fortes para acordar na segunda-feira é uma qualidade rara e absolutamente necessária em tempos difíceis para o país. Em excesso, porém, essa atitude pode levar à estafa ou burnout.

“Olhe para as startups, que são campeãs de motivação”, afirma Alexandre Teixeira, autor do livro “Felicidade S/A” (Arquipélago Editorial). “Muitas delas são notórias por suas jornadas de trabalho exageradas e pelas frequentes histórias de esgotamento físico e mental na equipe”.

Os hipermotivados excedem seus próprios limites voluntariamente. A situação se aproxima, pelo menos em parte, à do workaholic — que enxerga o trabalho como fuga para outros aspectos disfuncionais de sua vida.

Para Teixeira, um símbolo do problema são as hackathons, maratonas em que profissionais de tecnologia passam horas, dias ou até semanas resolvendo desafios de programação. “É claro que a ideia da hackaton é ótima, mas não como rotina”, explica. “Mais cedo ou mais tarde, virar dezenas de madrugadas trabalhando acaba trazendo problemas de saúde”.

2. Ambição

O desejo de crescer na carreira é essencial para o sucesso, mas pode se converter em problema quando se transforma em excesso de competitividade. “Você se torna cego para o impacto que as suas ações têm sobre si mesmo e sobre os outros, e os seus relacionamentos são prejudicados”, alerta Annie McKee, professora da Universidade da Pensilvânia, em artigo para o site “Harvard Business Review”.

De acordo com o psicólogo e consultor Caio Farhat, profissionais ambiciosos ao extremo correm o risco de se transformar em competidores desenfreados. “Rat race [corrida de ratos, em tradução livre], em psicologia positiva, significa correr atrás de objetivos que não lhe trazem prazer, mas que supostamente trarão felicidade no futuro”, explica. “O problema é que as conquistas passam a ter cada vez menos valor”.

3. Senso de responsabilidade

Ter consciência sobre os seus deveres, e persegui-los de forma constante, é um dos pilares mais básicos do profissionalismo. No entanto, é preciso tomar cuidado para não confundir responsabilidade com submissão. “Muita gente se fixa apenas nas demandas da empresa, e acaba deixando de lado suas próprias exigências e necessidades”, explica Farhat.

Segundo McKee, o senso de responsabilidade excessivo cria “super-heróis”. “Muitas pessoas escondem qualquer coisa que possa fazê-las parecer fracas ou vulneráveis, como dificuldades em casa ou a sensação de esgotamento, porque sentem que precisam ser fortes o tempo todo”, escreve a professora.

O problema se agrava quando a obediência cega à empresa é recompensada com bônus, aumentos e promoções. Afinal, qual seria o problema de contrariar as suas vontades se você está ganhando bem? Mais cedo ou mais tarde, porém, negligenciar a própria felicidade cobrará seu preço.

4. Busca por propósito

As empresas não querem mais funcionários; elas buscam profissionais afinados com sua missão e seus valores. Ao mesmo tempo, grande parte dos profissionais, sobretudo os mais jovens, não desejam só um emprego: querem um trabalho com sentido e significado.

Tudo isso é ótimo, diz Teixeira, mas pode virar um pesadelo a depender da intensidade. “A busca por propósito pode criar uma insatisfação crônica com a própria carreira”, explica o especialista. É o que o especialista chama de ansiedade hedônica: a angústia por não estar se sentindo bem o tempo todo.

Como a realidade nem sempre acompanha esse ideal, também é possível ter mais dificuldade para escolher uma profissão ou área de especialização. Você pode acabar pulando de emprego em emprego, atrás de uma realização grandiosa que nunca chega a se materializar.

Fonte: EXAME.com

6 regras básicas para quem não quer ser um idiota

Na internet, as meias-verdades e as mentiras se espalham com facilidade, em grande parte, por preguiça nossa. É por isso que eu carrego comigo um manual básico de como não ser um idiota.

Ramón Hernandez Santillana, 21 de setembro de 2017 (Fonte: administradores.com)

6 regras básicas para quem não quer ser um idiota

Reprodução/ Dumb and Dumber/ Motion Picture Corporation of America

A semi-informação é um problema sério que precisa ser combatido. A tal da “pós-verdade” (nem gosto de usar esse termo) se espalha igualzinho a um câncer: começa com uma feridinha e daqui a pouco as células estão se multiplicando descontroladamente, cada uma contando uma versão do conto e acrescentando seu ponto.

Na internet, as meias-verdades e as mentiras se espalham com facilidade, em grande parte, por preguiça nossa. É fácil compartilhar uma história da qual ouvimos falar (ou lemos por aí). Mas procurar as fontes, dirimir as dúvida, esclarecer o que estiver obscuro também não é difícil.

É por isso que eu carrego comigo um manual básico de como não ser um idiota. É meu único instrumento de proteção nesse mundo louco que as pessoas têm construído com a ajuda da internet.

Compartilho aqui com quem se interessar:

1. Ouça as pessoas de quem você discorda

Eu sei que essa é uma tarefa difícil. Tendemos – talvez por instinto de defesa – nos agruparmos com as pessoas que pensam como nós. Tudo bem. Nos sentimos mais confortáveis e felizes assim. Mas isso vira um problema quando seus parças estão pensando e agindo mal. Você segue a boiada, mas nem sempre deveria. Por isso é importante ouvir o contraditório, ter sempre à mão a possibilidade de ouvir e ler quem pensa diferente de você. E, claro, refletir, senão não adianta. Colocar sempre em choque os dois lados da história é essencial. E discutir. Porque nada é melhor para praticar a crítica e a autocrítica que um bom debate. Você não precisa concordar com quem pensa diferente de você. Mas somente elas podem colocar em xeque aquilo em que você acredita. E por que isso é importante? Veja o ponto a seguir.

2. Aceite que, às vezes, você pode estar errado

Assumir que aquilo em que acreditamos não é verdade é outra tarefa difícil. Mas livrar-se de algumas crenças é essencial para evoluirmos na vida. E não estou falando aqui de religiosidade, porque nem tudo em que cremos é religioso. As tais das crenças limitantes, por exemplo, afundam carreiras. Aliás, afundam vidas. Em debates sobre assuntos polêmicos, vale a mesma regra. Você aprendeu algo. Absorveu aquilo como verdade absoluta. Nunca encontrou nada que confrontasse aquela crença. Então por que agora colocar em xeque? Por que algumas verdades não são absolutas para sempre. Durante muito tempo se acreditou que a Terra era o centro do universo e que o sol girava em torno de nós. E vocês não imaginam quão absurdo soou quando disseram que a história não era bem assim. Você vai achar absurdo deixar de acreditar em algumas coisas. Mas depois vai ver que estranho era continuar acreditando naquilo.

3. Não deixe nenhuma ideologia dominar você

Vejam só: eu não sou marxista. Mas se eu não tivesse lido Karl Marx não saberia o que ele pensava sobre ideologias: que são maneiras de falsear a verdade. Sim, é o que ele escreveu. Se transformaram seu pensamento em uma, aí já são outros quinhentos. Mais um exemplo: Lênin, um dos patriarcas da Revolução Russa, escreveu um livro que carrega um título sugestivo e que se dedica a apresentar respostas a uma pergunta intrigante: Qual a maior doença do comunismo? O esquerdismo, diz a obra. Se duvida, veja aqui. E, só para não ficar nos exemplos da esquerda, é importante que você saiba que o pensamento disseminado por páginas do Facebook e alguns youtubers conservadores também se encaixa na descrição de ideologia (se, ao ler isso, você já ficou um pouco irado, exercite mais um pouco o ponto 2).

4. Ouça os pensadores, mas não os transforme em mestres

Tanto na esquerda quanto na direita, tem muita gente que você deve ler e ouvir. São pessoas que estudam, pesquisam, debatem, refletem. E não me restrinjo aqui aos intelectuais, mas falo também daquelas pessoas que têm larga experiência prática em suas áreas e de vida, e que sempre têm algo a agregar. Escute-as, reflita sobre o que dizem, mantenha-nas em seu feed. Mas não se torne discípulo de ninguém. Ao fazer isso, você infringirá muito facilmente os pontos 1, 2 e 3 deste manual.

5. Use o Google, mas não ache que ele é um oráculo

Quando você se deparar com algo – principalmente se for polêmico – e lhe bater aquela vontadezinha de compartilhar, cheque antes de clicar. Esse processo não é complicado. Às vezes, uma simples pesquisa no Google já resolve. Mas tenha cuidado: as fontes de fake news estão cada vez mais elaboradas e algumas conseguem enganar até os robôs super-inteligentes do buscador. Depois de multiplicar suas fontes de informação, confronte-as, busque outras que as contradizem e, se possível, discuta com quem entende do assunto mais que você. Fazendo tudo isso, você ainda pode cometer um engano. Mas o risco fica bem menor.

6. Esteja sempre disposto a reconhecer seus erros e pedir desculpas

Todos estamos suscetíveis ao erro. Mas insistir estar certo, mesmo sabendo que não está, simplesmente para não dar o braço a torcer, é uma bela idiotice. Se errou, reconheça e peça desculpas se tiver prejudicado alguém. Essa é uma das atitudes mais nobres que podemos ter.

5 mentiras sobre networking que você precisa esquecer agora

Se você quer realmente tirar um bom proveito da sua rede de contatos profissionais, precisa abandonar de vez estas ideias.

Networking

Networking (Foto/Thinkstock)

Networking é uma daquelas palavras da moda que, apesar de usadas por muita gente, têm um significado pouco claro para a maioria.

Leia também: Cursos online para atividades complementares.

Não é raro que o conceito criado nos Estados Unidos se confunda com falsidade na cabeça do brasileiro, pouco acostumado à ideia de que alguém pode construir uma relação com um objetivo — atrair oportunidades profissionais, no caso — sem ser interesseiro.

De acordo com Lygia Pontes, consultora e professora de networking na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing),  trata-se de uma relação como qualquer outra. “Assim como você faz com amigos e familiares, você precisa ser sincero, ouvir, estar disponível, é o extremo oposto da falsidade”, diz ela.

Outra confusão frequente é achar que networking é algo que só beneficia justamente um dos lados. Na verdade é uma troca, uma parceria com vantagens mútuas, afirma Fabrício Barbirato, diretor executivo do IDCE (Instituto de Desenvolvimento e Conteúdo para Executivos).

Uma rede de contatos só funciona quando se estabelece como via de mão dupla: você ajuda o outro e, eventualmente, será ajudado por ele no futuro.

Para extrair bons frutos do networking é preciso abandonar algumas crenças comuns sobre o tema. Veja 5 deles, lembrados pelos especialistas ouvidos por EXAME.com:

1. Networking não é necessário quando você é competente

Um engano comum é acreditar que bons profissionais acabam sendo reconhecidos mais cedo ou mais tarde pelo mercado — o que os dispensaria de investir em relacionamento para se dar bem. A professora Lygia Pontes, da ESPM, diz que nenhuma reputação se sustenta quando não há competência, mas que ser bom também não é suficiente: é preciso ativamente lembrar os outros desse fato.

Daí a importância do marketing pessoal dentro e fora da empresa em que você trabalha. “Você precisa se relacionar para estar sempre na cabeça das pessoas, assim como um anunciante que paga para aparecer na TV ”, compara a especialista.

2. Você não precisa fazer networking se está feliz no seu emprego

Construir uma rede de contatos profissionais é um investimento de longo prazo. Isso significa que é preciso cuidar dos seus relacionamentos não apenas quando você está insatisfeito ou desempregado, mas também quando a sua carreira está indo de vento em popa.

O networking não funciona como um interruptor de luz – algo que pode ser ligado ou desligado a qualquer momento, quando convém. “Invista na sua rede sempre, independentemente do momento que você está vivendo”, diz Fabrício Barbirato, do IDCE. “Procurar ajuda só quando a situação aperta dificilmente terá resultado”.

3. Introvertidos não conseguem fazer networking

Quando o assunto é relacionamento, ouvir é mais importante do que falar. Por isso, os “quietinhos” não devem nada aos “populares”. Eles só estariam em desvantagem se obter sucesso na tarefa dependesse meramente de falar, falar e falar sobre si mesmo — o que não é o caso.  “Fazer networking significa estar aberto ao outro, ter interesse nas suas realizações, estar disposto a ouvi-lo, e não só tagarelar sobre as suas habilidades”, afirma Pontes.

Segundo Maurício Cardoso, co-fundador do Clube do Networking, os introvertidos costumam se diferenciar pela profundidade, constância e sobretudo pela escuta — que são valores essenciais para conquistar o respeito do mercado. Sua única dificuldade está no primeiro contato, mas isso pode ser facilmente driblado com algumas técnicas simples.

4. Dá para fazer networking pelas redes sociais

Ferramentas como o LinkedIn e até o Facebook podem ser incrivelmente úteis para manter os seus contatos profissionais sempre aquecidos. Mas a facilidade trazida pela internet não pode se transformar em vício. Afinal, o contato presencial, olho no olho, proporciona vantagens que nenhum chat online jamais irá possibilitar.

Segundo Pontes, redes sociais podem ser usadas para preservar e em alguns casos iniciar relacionamentos, mas não devem substituir os encontros. As melhores parcerias que você vai estabelecer na vida serão feitas diante de uma xícara de café, e não atrás da tela de um computador.

5. Fazer networking é “puxar o saco”

Bajular uma pessoa com a intenção de extrair dela alguma vantagem profissional é uma das piores atitudes que você pode tomar na carreira. “É preciso ser interessante e se mostrar interessado, mas nunca ser interesseiro”, ensina a professora da ESPM.

Barbirato lembra que o networking é feito de atitudes práticas para ajudar o outro, e não de elogios vazios para acariciar seu ego. “O puxa-saco só engana a si mesmo, porque as suas intenções serão percebidas cedo ou tarde”, diz Barbirato. Em tempo: ainda que ele não seja desmascarado, a simples bajulação não irá conquistar a confiança de ninguém.

Fonte: exame.abril.com.br

Falar em público

Como falar em público mesmo sendo tímido? Especialista dá dicas.

Você pode não ser muito fã de falar para uma plateia, mas é bem provável que tenha de passar por isso na faculdade e no trabalho. Veja dicas.

Todos os olhares do ambiente têm um alvo: você. A sensação é pânico, terror, aflição. A garganta seca, a respiração acelera e uma incômoda gota de suor pinga da têmpora esquerda avisando que a temperatura corporal já subiu. Há pessoas introvertidas que se sentem assim quando precisam falar em público. Mas Gislene Isquierdo, psicóloga master coach e especialista em destrave emocional, garante que é possível reverter a agonia ao encarar uma plateia.

“Os tímidos podem arrasar falando em público! Lembre-se de que Steve Jobs, um tímido clássico, arrasava em suas apresentações”, diz Gislene. Ela tem dicas para mandar bem apesar do nervosismo. Confira:

“Eu odeio falar em público mas sinto que preciso ter essa competência para crescer na carreira. Como deixar essa tarefa menos penosa?”

“Se você pensar que falar em público é algo penoso, assim será! Se você pensar que é uma oportunidade, assim será”, diz Gislene. Não há como escapar: um pensamento gera um estado emocional e emoções interferem nos comportamentos.

“Assim, se você sentir medo, você provavelmente fugirá da situação de ter que se apresentar diante de um público”, diz. O problema dessa atitude, de acordo com ela, é que, no caso acima, essa competência é importante para garantir a visibilidade necessária ao crescimento na carreira.

O primeiro passo é então mudar a forma de encarar o ato de “ter que falar em público”, sugere a especialista. “O que é mais penoso: ter que falar em público ou ver alguém menos competente do que você crescer e você ficar para trás? ”, pergunta Gislene.

“Socorro! Estou em frente a uma plateia e sinto que vou travar na apresentação. O que é melhor eu fazer nesse momento?”

No instante que sentir que vai travar, mude a sua forma de respirar, indica a coach. “Muito provavelmente você está respirando muito rápido e de forma curta. O ar não está chegando onde ele precisa chegar. Respire corretamente e lentamente, inspire pelo nariz e solte o ar bem devagar pela boca”, diz.

Em seguida, altere a postura corporal. “Nada de ombros caídos, fique com uma postura ereta, como se você fosse a pessoa mais confiante do universo. Olhe para frente e sorria”, sugere.

Sabendo a relação direta entre pensamento, emoção e mentalizar afirmações como, por exemplo, “eu venço os desafios”, “eu sou forte” ou “eu posso” podem melhorar o estado emocional.

Antes da apresentação, a especialista sugere um truque para se soltar: música e movimentos de corpo.

“Fico vermelho e começo a tremer quando tenho que falar em público. É melhor tentar disfarçar? É que isso me deixa ainda mais nervoso quando acontece porque acho que todo mundo está me julgando? Já pensei até em tomar calmante.”

Vermelhidão, tremedeira, gagueira, falta de ar, transpiração e o temido “deu branco” são respostas emocionais e não dá para controlar, segundo Gislene. “São consequências de sentimentos como: ansiedade, nervosismo, insegurança, timidez e medo”, diz.

Para ela qualquer tentativa de mascarar esses sintomas é inútil. Verificar a causa é mais produtivo em longo prazo do que atacar o sintoma com calmante.“Não disfarce, encare suas emoções e desenvolva a sua inteligência emocional”, indica.

“Estou tão nervoso durante a apresentação que internamente acho que estou colocando tudo a perder. Existe um jeito de tentar salvar quando tudo vai mal?”

“Quando uma apresentação vai mal é porque o apresentador está focando ele mesmo e não o público e o resultado que quer alcançar”, diz a coach.

Mude o foco e tente atentar para o que pode criar conexão com as pessoas. Bons apresentadores transmitem emoção e dão exemplos práticos e com os quais o público se identifica.

Por isso, um dos conselhos básicos para apresentações é reunir informações sobre a sua audiência. Investigar a plateia é tão essencial para o sucesso da empreitada quanto dominar o tema que será exposto.

Matéria originalmente publicada no site Exame.com