Falta motivação para atingir suas metas? Siga conselho de psicólogos

Procurando motivação para terminar a semana? Uma teoria recente de dois psicólogos aponta que a solução é muito simples

Por Suria Barbosa, do Na Prática | 1 nov 2018, 06h00

Motivação: está com dificuldade para encontrar motivação? (AntonioGuillem/Thinkstock)

Não sabe como se motivar? Uma teoria recente de dois psicólogos aponta que a solução é muito simples – uma prática que muitos fazem, mas com outros objetivos. Em matéria, o site Quartz explicou a teoria de Lauren Eskreis-Winkler, psicóloga da Wharton School que estuda motivação, e Ayelet Fishbach, professor de Ciência Comportamental na Escola de Negócios Booth, da Universidade de Chicago.

Segundo os estudiosos, há anos os psicólogos conectaram os problemas mais comuns relacionados ao autocontrole com a falta de motivação de transformar o conhecimento em ação. “Percebendo isso, decidimos transformar a solução padrão: e se, em vez de buscarmos conselhos, pedíssemos às pessoas com dificuldades que dessem para os outros?”, escrevem Eskreis-Winkler e Fishbach em artigo sobre a pesquisa no MIT Sloan Management Review.

Para responder a pergunta, eles conduziram uma série de experimentos com pessoas que lutavam para ter autocontrole em algum âmbito. Os objetos de estudo eram orientados a dar conselhos para os outros sobre os próprios problemas que enfrentavam – como desemprego, falta de dinheiro, raiva e baixo desempenho escolar.

O segredo de como se motivar

O senso comum diz que se você não consegue atingir seu objetivo, deve pedir conselho para alguém que já foi bem-sucedido no que você busca. Por exemplo, alguém que já conseguiu o emprego que você quer, ou que perdeu peso, foi promovido. De acordo com Eskreis-Winkler e Fishbach, no entanto, essa premissa não ajuda, na realidade. Para eles, a chave de como se motivar é o contrário: aconselhar.

A partir dos estudos, os resultados fortaleceram essa teoria. Em uma das pesquisas, 68% dos desempregados disseram que se sentiam mais motivados a procurar emprego depois de dar conselhos do que depois de recebê-los. Similarmente, outro estudo mostrou que 72% de pessoas que lutam para poupar dinheiro disseram que dar conselhos os motivou a guardar mais do que receber dicas de especialistas.

Além disso, dar conselhos foi mais efetivo do que recomendações profissionais para 77% de adultos que tentavam técnicas de controle de raiva. Por fim, 72% de pessoas que lutam para perder peso disseram que dar conselhos sobre perda de peso fez com que eles se sentissem mais confiantes do que conversando com uma nutricionista experiente.

Ainda mais surpreendentemente, os participantes dos experimentos desconheciam completamente a teoria sobre a eficácia dos conselhos. “Eles sempre esperavam que eles e os outros se sentissem menos motivados por dar conselhos do que por recebê-los”, conta Fishbach ao site Quartz.

Por que isso funciona?

Essa falsa sensação da ineficiência de aconselhar parte da presunção de que o baixo desempenho é o resultado de falta de conhecimento. Porém, a verdade é que a as pessoas desmotivadas frequentemente sabem o que precisam fazer para obter sucesso em seus objetivos – a diferença é que não agem de acordo.

“Dar conselhos, em vez de recebê-los, parece ajudar pessoas desmotivadas a se sentirem poderosas, porque envolve refletir sobre o conhecimento que elas já possuem”, destaca o Quartz. Então, se você não sabe as estratégias ou recursos necessários para progredir, pedir um conselho pode ser a melhor aposta. No entanto, se você sabe o que fazer, mas está com dificuldades para agir, dar conselhos pode ser o que você precisa.

Este artigo foi originalmente publicado pelo Na Prática, portal da Fundação Estudar.

Hábitos com o dinheiro que dizem muito sobre o seu perfil profissional

Hábitos com o dinheiro que diz muito sobre o seu perfil profissional

Hábitos financeiros

Os hábitos têm o poder de falar muito sobre a vida em diferentes campos dela, principalmente na carreira de uma pessoa. O impacto negativo no trabalho devido aos problemas financeiros e a forma como se lida com o dinheiro, tem alguns pontos característicos recorrentes. O especialista em planejamento financeiro Leandro Trajano destaca. “Cuidar bem do dinheiro mostra ao empregador e ao mercado de trabalho que você é responsável com algo pessoal e assim terá mais chances de ser com o trabalho e sua carreira também. Já o contrário irá gerar desconfiança do mercado em você como profissional”, explica.

Alguns deles:

Gastar mais do que se ganha: essa é a premissa da organização financeira, saber quanto entra todo mês e quanto você está gastando. “Uma pessoa que não sabe quanto recebe e quanto gasta, pode ter problemas para chegar no horário de entrada no trabalho ou das reuniões”, alerta o especialista.

Não pagar as contas em dia: não ter um controle de vencimentos das contas do mês e consequentemente sempre pagar juros pelos atrasos, pode significar que o profissional também terá dificuldades para entregar os projetos no prazo, ocasionando problemas no planejamento da empresa e com os clientes.

Usar o crédito de forma descontrolada: o cartão de crédito é um grande vilão para as finanças pessoais se usado sem responsabilidade. “Muita gente acha que o cartão de crédito é uma renda a mais, uma extensão do salário, e acabam por abusar e se endividar. Para o seu empregador, isso pode passar a imagem que você também não ira cuidar bem dos recursos da empresa”, explica Leandro.

Pegar empréstimos de forma inconsequente e sem uma análise coerente: neste quesito o educador faz o alerta de que este comportamento pode passar ao mercado de que você não irá tomar ações estratégicas e conscientes que envolvam projetos e compras com o dinheiro da empresa.

Em geral, pessoas com problemas financeiros, seja ele qual for, se não tiverem um bom suporte e orientação, tendem a ter problemas também em casa, fechando um circuito crítico e de peso na vida pessoal, familiar e profissional. “É uma fase que exige muito equilíbrio e organização. Análise e frieza para que o problema não se agrave, pois infelizmente poucos se dão conta que a situação no emprego pode ficar mais crítica e que se não for possível seguir na empresa, o problema financeiro tende a se potencializar”, alerta o especialista.

Fonte: Administradores.com

 

 

 

 

Os principais erros e acertos no marketing pessoal

O primeiro passo é avaliar se a imagem que você está transmitindo é coerente com quem você é de fato

*Marcelo Olivieri, Administradores.com, 
Marketing Pessoal

Marketing Pessoal (iStock)

 

O marketing pessoal é uma ferramenta estratégica e indispensável para a construção e desenvolvimento de uma carreira de sucesso. No entanto, pouquíssimos profissionais dão a devida atenção para o tema, e um número menor ainda dedica-se de maneira ativa para desenvolver uma imagem positiva perante o mercado. Mas, gerenciá-lo é mais fácil do que se pode imaginar.

O primeiro passo é avaliar se a imagem que você está transmitindo é coerente com quem você é de fato. Não adianta você se comunicar bem e transmitir confiança se tudo isso for apenas da boca para fora. Marketing pessoal não é apenas o que você diz sobre o seu trabalho, mas principalmente o que pessoas que convivem com você pensam ou falam sobre sua personalidade.

Leia também: Melhore sua imagem pessoal e profissional trabalhando seu Marketing Pessoal.

Para isso, é importante ser um bom profissional. Dedique-se para atingir as suas metas no trabalho e busque sempre superá-las. Entregue resultados e seja reconhecido pelos seus feitos. Para se tornar referência, o profissional precisa partir do micro para o macro, ou seja, primeiro ser reconhecido pelos seus pares e superiores. Depois, para a sua área e, posteriormente, para a sua divisão, unidade de negócio e corporação como um todo.

Contudo, não basta ser bom, você precisa ser notado. A exposição na dose certa é essencial para a construção de uma imagem. É importante que as pessoas saibam bem quem você é. Não adianta muito ser um ótimo profissional, mas ninguém perceber isso. Autenticidade e autoconhecimento também fazem a diferença. Uma pessoa autêntica cativa quem está por perto e faz com que você seja visto exatamente pelo que você é, e não pelo que gostaria de ser. Para isso, você precisa se conhecer muito bem para fazer brilhar seus pontos fortes, e minimizar os fracos. 

Outra tática bastante eficiente é o famoso storytelling. Conte sua história de maneira atrativa. Aprenda a falar sobre suas conquistas de forma envolvente e empolgante. Além de prender a atenção das pessoas, você tem muito mais chances de ser lembrado. Para uma entrevista de emprego, por exemplo, é interessante fazer um resumo sobre a sua carreira. Pense quais foram os seus principais projetos realizados, os resultados atingidos e quais foram as principais lições aprendidas. Isso pode facilitar muito o seu desempenho, além de despertar interesse no entrevistador e te deixar mais tranquilo durante a conversa.

Procure identificar ainda o seu maior diferencial. Busque reconhecer o seu melhor e investir nele de modo estratégico. Esse diferencial pode estar em destaque no currículo ou no início do seu discurso. Se tiver algo exclusivo, invista sem medo. As chances de começar a ser reconhecido e admirado por isso são grandes. Por outro lado, tome cuidado com o “overposting”, ou seja, a imensa quantidade de posts sobre um determinado assunto ou pessoa. Superexposição não favorece ninguém. Estude a hora certa de se expor e como fazer isso da melhor forma. Caso contrário, você pode se tornar a “pessoa chata” que tenta “se vender” o tempo todo ou pode ser visto como um profissional carente, que precisa ser sempre parabenizado. 

Lembre-se que não adianta aparecer apenas por aparecer. O profissional precisa ter algo para mostrar, alguma coisa relevante, que seja reconhecida. Você está em um ambiente de trabalho e não em um show de talentos. Cuidado também para não se apropriar de ideias de outras pessoas para buscar reconhecimento próprio. Isso demonstra uma falha de caráter. Além de antiética, essa atitude pode destruir sua credibilidade. Evite ainda bajulações com a chefia. O seu objetivo deve ser apenas mostrar a qualidade do seu trabalho e criar bons relacionamentos. 

Por fim, defina onde você quer chegar e de que forma quer ser reconhecido. Invista em sua carreira, aprenda e reaprenda a ser bom no que faz continuamente. Reconheça os seus erros, aprenda com eles e busque corrigi-los. Crie uma rede de relacionamento para troca de experiências, boas práticas e conhecimentos. E, não se esqueça de que a construção de uma marca pessoal é constante. Mesmo quando sua imagem já é positiva, você precisa se atualizar com as inovações e tendências do seu mercado para continuar sendo visto como uma autoridade no assunto. Tome muito cuidado com a zona de conforto e invista sempre em você! 

Marcelo Olivieri — Bacharel em psicologia e possui MBA em Gestão Estratégica. Com mais de 10 anos de experiência no recrutamento especializado nas áreas de marketing e vendas, Olivieri é diretor da Trend Recruitment.

Fonte: Administradores.com

Como sobreviver períodos em que nada parece dar certo?

Resiliência é a capacidade de um material voltar ao seu estado natural após alguma situação crítica e fora do comum

Resiliência

(Foto/Thinkstock)

A roda parece girar em falso. A sensação é de que nunca se trabalhou tanto e se obteve tão pouco resultado. Percepção típica de tempos de crise, ela vem acompanhada do medo de perder o emprego, do aumento de tarefas por causa das equipes cada vez mais enxutas, da pressão por maior produtividade e da exigência para fazer mais com menos.

Como uma tentativa de se mostrarem essenciais e de garantir seu cargo, os profissionais dão mais de si mesmos e dedicam mais horas ao serviço. Ao longo do tempo, isso leva a esgotamento físico e mental. “Há uma grande pressão por maior desempenho, mas as condições das empresas e do mercado dificultam esse processo, angustiando ainda mais os funcionários”, diz Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR).

Com isso, aumentam os casos de depressão, ansiedade e de crises de pânico. (Dados da Secretaria de Previdência Social indicam que os benefícios de auxílio-doença concedidos devido a transtornos de ansiedade subiram 27,6% nos últimos cinco anos.)

O desafio é duplo para o líder de recursos humanos, que não só precisa ajudar a mão de obra a sobreviver nesse cenário como também ele próprio navega por águas turbulentas. “O RH está no meio do sanduíche: pressionado pelos profissionais que estão numa posição desconfortável e também dos executivos que esperam que ele faça alguma mágica”, diz Ana Maria Rossi.

Como sobreviver a períodos como este, em que, por mais que se trabalhe, nada sai? Resiliência parece ser a palavra de ordem para responder a essa pergunta.

A ciência explica

Resiliência é diferente de resistência. Emprestado da física, o primeiro diz respeito à capacidade de um material voltar ao seu estado natural após alguma situação crítica e fora do comum. No âmbito da gestão de pessoas, “é a habilidade de se adaptar à situação e de superar uma adversidade, tornando-se um indivíduo ou profissional melhor”, diz Ana Maria.

Ser resistente, por sua vez, é apenas lidar com a situação — sem ganho algum. Uma pesquisa recente da Isma-Br mostra que somente 23% dos profissionais no Brasil têm características que levam à resiliência: entre eles, 93% têm a autoestima elevada, 86% praticam o autocontrole por meio de técnicas de relaxamento, e 81% são flexíveis para lidar com as frustrações. Entre os resistentes, 85% se queixam de dores musculares, e 74% usam de bebidas alcoólicas ou medicamentos para lidar com as adversidades do dia a dia.

Têm mais dificuldade para lidar com essas conjunturas os indivíduos agressivos (aqueles que sempre buscam um culpado por tudo) e os passivos (que engolem sapos com frequência). No fundo, ninguém nasce resiliente — mas algumas características ajudam a desenvolver essa qualidade.

Para a presidente da Isma-Br, são três as principais variáveis a ser praticadas: a autoestima, a flexibilidade e a rede de contatos (tanto a profissional quanto os amigos). A assertividade, a arte de dialogar racionalmente e verbalizar suas posições sem se indispor com o outro, também é uma característica fundamental quando “o bicho pega”.



Nesse ponto, é importante entender o processo encadeado por trás da tomada de decisão — campo de estudo de uma área relativamente nova da neurociência, a neuroeconomia. Claudia Feitosa-Santana, pós-doutora nessa matéria pela Universidade de Chicago, explica que quando decidimos por uma coisa ou outra levamos em conta dois níveis: o nosso (o que é bom para nós) e o dos outros (o que é bom para todos). Numa situação de perigo, como uma crise, “automaticamente agimos pelo nosso bem”, diz a especialista. Logo, ser resiliente não é aceitar a situação, mas, sim, ter consciência de que você pode estar fazendo algo do qual não concorda ou não gosta por uma causa que vai lhe beneficiar — como manter o salário, por exemplo.

Perda de energia

Outro conceito da física ajuda a entender a sensação de que nada vai para a frente nas empresas: a entropia. “É a grandeza que mede quanto de energia um sistema precisa para processar um resultado”, diz Cláudio Garcia, vice-presidente de estratégia e desenvolvimento corporativo da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH). Em outras palavras: a entropia indica a quantidade de esforço que um profissional deve empenhar até que a tarefa seja concluída. Quanto maior o resultado com menor energia, mais entrópico é o sistema.

O problema é que a crise aumenta a preocupação da liderança, que fica ainda mais desconfiada e centralizadora. Paralelamente, as organizações, para evitar custos desnecessários, também intensificam os controles, ao mesmo tempo em que reduzem as equipes. Resultado: muita luta e pouca finalização. Especialmente nos cenários adversos, as companhias deveriam investir em sistemas e processos que reduzissem o esforço do trabalhador pelo menos com as demandas administrativas.

Para Roberto Aylmer, especialista em gestão estratégica de pessoas e professor na Fundação Dom Cabral, cabe ao líder de RH puxar essa fila, atuando junto com os demais executivos. “Ele deve criar uma forma de gestão mais participativa, matricial e inteligente, com mais suporte da base”, afirma. Pensar em um propósito e causas coletivas também ajudam a enfrentar o turbilhão.

Diversos estudos apontam a ligação entre o propósito, o engajamento e a produtividade dos funcionários. Uma pesquisa da Korn Ferry Hay Group mostra que 1% de queda no engajamento impacta em até 22% a produtividade de um trabalhador. Segundo Elton Moraes, consultor sênior da consultoria, isso é resultado da perda de confiança nas lideranças e da falta de transparência das corporações durante a crise. “Ainda que a direção da empresa não saiba o que vai acontecer, ela precisa promover um contato direto com os trabalhadores, nem que seja para dizer que pode, sim, haver cortes, mas que ainda está contando com eles”, diz.

Se a comunicação for bem-feita e as pessoas se sentirem parte do todo, podem até sair fortalecidas do furacão. Para Cláudio Garcia, da LHH, situações de crises possibilitam criar mais vínculos e sensação de propósito entre as pessoas do que momentos de crescimento e sucesso. Ele cita um estudo da Darden School of Business, da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, que comprovou que os indivíduos que sofrem juntos formam laços que vão além do ambiente corporativo, contagiando clientes, fornecedores, parentes e sociedade. Ao gerar essas conexões sociais, as empresas contribuem para a formação da resiliência.

Fonte: EXAME.com

4 atitudes positivas que “estragam” sua felicidade no trabalho

De motivação a senso de responsabilidade, entenda o “lado B” de comportamentos tidos como saudáveis e recomendados por especialistas em carreira

4 atitudes positivas que estragam sua felicidade no trabalho

Profissional infeliz (kieferpix/Thinkstock)

Você diria que profissionais responsáveis, ambiciosos e motivados podem acabar sabotando sua própria felicidade no trabalho? Por mais insólita que pareça, essa possibilidade existe. E mais: nem é tão remota assim.

Tudo depende das razões por trás de comportamentos aparentemente inofensivos ou até saudáveis, explica o psicólogo israelense Tal Ben-Shahar, que ministra um popular curso sobre felicidade na Universidade de Harvard.

“A eletricidade é uma coisa ruim?”, questiona o professor em entrevista a EXAME.com. “Ela é ótima quando é usada para trazer mais luz para as nossas vidas, mas é péssima quando seu uso é a execução de um inocente em uma cadeira elétrica”.

A depender da sua finalidade, certas virtudes frequentemente recomendadas por especialistas em carreira também podem ter uma faceta sombria.

“Se você busca ser um profissional exemplar só porque deseja ser rico ou admirado, mais cedo ou mais tarde você terá problemas”, diz Ben-Shahar. “Se, por outro lado, você tem essa postura porque quer fazer o bem e ter uma vida cheia de significado, terá mais chances de ser feliz”.

Confira a seguir 4 atitudes positivas que podem comprometer a sua satisfação com a carreira:

1. Motivação

Ser capaz de encontrar razões fortes para acordar na segunda-feira é uma qualidade rara e absolutamente necessária em tempos difíceis para o país. Em excesso, porém, essa atitude pode levar à estafa ou burnout.

“Olhe para as startups, que são campeãs de motivação”, afirma Alexandre Teixeira, autor do livro “Felicidade S/A” (Arquipélago Editorial). “Muitas delas são notórias por suas jornadas de trabalho exageradas e pelas frequentes histórias de esgotamento físico e mental na equipe”.

Os hipermotivados excedem seus próprios limites voluntariamente. A situação se aproxima, pelo menos em parte, à do workaholic — que enxerga o trabalho como fuga para outros aspectos disfuncionais de sua vida.

Para Teixeira, um símbolo do problema são as hackathons, maratonas em que profissionais de tecnologia passam horas, dias ou até semanas resolvendo desafios de programação. “É claro que a ideia da hackaton é ótima, mas não como rotina”, explica. “Mais cedo ou mais tarde, virar dezenas de madrugadas trabalhando acaba trazendo problemas de saúde”.

2. Ambição

O desejo de crescer na carreira é essencial para o sucesso, mas pode se converter em problema quando se transforma em excesso de competitividade. “Você se torna cego para o impacto que as suas ações têm sobre si mesmo e sobre os outros, e os seus relacionamentos são prejudicados”, alerta Annie McKee, professora da Universidade da Pensilvânia, em artigo para o site “Harvard Business Review”.

De acordo com o psicólogo e consultor Caio Farhat, profissionais ambiciosos ao extremo correm o risco de se transformar em competidores desenfreados. “Rat race [corrida de ratos, em tradução livre], em psicologia positiva, significa correr atrás de objetivos que não lhe trazem prazer, mas que supostamente trarão felicidade no futuro”, explica. “O problema é que as conquistas passam a ter cada vez menos valor”.

3. Senso de responsabilidade

Ter consciência sobre os seus deveres, e persegui-los de forma constante, é um dos pilares mais básicos do profissionalismo. No entanto, é preciso tomar cuidado para não confundir responsabilidade com submissão. “Muita gente se fixa apenas nas demandas da empresa, e acaba deixando de lado suas próprias exigências e necessidades”, explica Farhat.

Segundo McKee, o senso de responsabilidade excessivo cria “super-heróis”. “Muitas pessoas escondem qualquer coisa que possa fazê-las parecer fracas ou vulneráveis, como dificuldades em casa ou a sensação de esgotamento, porque sentem que precisam ser fortes o tempo todo”, escreve a professora.

O problema se agrava quando a obediência cega à empresa é recompensada com bônus, aumentos e promoções. Afinal, qual seria o problema de contrariar as suas vontades se você está ganhando bem? Mais cedo ou mais tarde, porém, negligenciar a própria felicidade cobrará seu preço.

4. Busca por propósito

As empresas não querem mais funcionários; elas buscam profissionais afinados com sua missão e seus valores. Ao mesmo tempo, grande parte dos profissionais, sobretudo os mais jovens, não desejam só um emprego: querem um trabalho com sentido e significado.

Tudo isso é ótimo, diz Teixeira, mas pode virar um pesadelo a depender da intensidade. “A busca por propósito pode criar uma insatisfação crônica com a própria carreira”, explica o especialista. É o que o especialista chama de ansiedade hedônica: a angústia por não estar se sentindo bem o tempo todo.

Como a realidade nem sempre acompanha esse ideal, também é possível ter mais dificuldade para escolher uma profissão ou área de especialização. Você pode acabar pulando de emprego em emprego, atrás de uma realização grandiosa que nunca chega a se materializar.

Fonte: EXAME.com