Profissões que serão insubstituíveis no futuro

Nas próximas décadas, muitas das atividades que hoje são realizadas por pessoas serão automatizadas, gerando impactos significativos no mercado de trabalho do futuro.

Mas as mudanças que a automação trará ao mercado de trabalho não se limitam à extinção de profissões, ou a criação de novas formas de trabalho. Algumas profissões continuarão a cargo dos humanos, mas passarão por transformações.

Funções demasiadamente mecânicas e repetitivas são as que estão sob maior risco de passarem por uma disrupção tecnológica. Os seres humanos, no entanto, sempre vão desempenhar um papel-chave no centro dos processos de trabalho: as ocupações mais difíceis de automatizar serão sempre as que complementam o trabalho das máquinas e as que envolvem a gestão e o desenvolvimento de pessoas, a tomada de decisões, o planejamento estratégico e o trabalho criativo. Com mais de 200 milhões de visitantes únicos em todo o mundo por mês, o Indeed está equipado para identificar tendências e compreender as mudanças no mercado de trabalho enquanto elas acontecem. Na lista abaixo, estão elencadas cinco profissões onde o trabalho humano será transformado pela tecnologia, mas não superado por ela. Estas são áreas em que os jovens profissionais de hoje poderão prosperar e crescer junto com elas.

Recursos humanos

O talento está se tornando um bem cada vez mais valioso e, hoje, as empresas competem no nível internacional pelos melhores candidatos. Uma estratégia de RH orientada a dados já é parte integrante do sucesso empresarial, mas isso de forma alguma diminui a necessidade do julgamento humano para uma tomada de decisão assertiva. O profissional de RH do futuro se tornará cada vez mais estratégico, e também precisará combinar habilidades interpessoais e inteligência emocional com experiência em software e capacidade de análise. Os avanços em inteligência artificial (AI), automação e mobilidade evoluem o local de trabalho, a aquisição e a retenção de talentos. A boa notícia é que muitas dessas tecnologias, especialmente a AI, estão transformando a maneira com a qual identificamos e contratamos talentos, tornando o processo mais produtivo, eficiente e diverso. Ainda que esteja em um de seus estados iniciais, a AI já é capaz de conectar os candidatos aos empregos e, em um futuro próximo, ela será fundamental para ajudar as empresas a reterem funcionários e ajudarem os indivíduos a crescerem e alcançarem suas aspirações de carreira.

De acordo com o Indeed, a profissão mais promissora do setor atualmente é a de Recrutador, que cresceu 193% em número de vagas publicadas na plataforma entre 2016 e 2017. Outras profissões com destaque são: analista de recrutamento e seleção (aumento de 69%), analista de benefícios (68%) e gerente de Recursos Humanos (66%). No geral, as vagas na área de Recursos Humanos cresceu 8,65% no último ano.

Culinária

Algumas coisas nunca irão mudar, incluindo a nossa paixão pela comida preparada com cuidado e atenção. A comida preparada de forma mecânica nunca irá se equiparar a uma refeição que une criatividade, sensibilidade e conhecimento dos meandros do paladar. Na cozinha, as máquinas definitivamente não vão mandar: apesar de serem capazes de produzir em grandes quantidades, certas habilidades criativas, como a apresentação e a infusão de essências e sabores inesperados, são incapazes de serem replicadas tecnologicamente.

No Brasil, o setor de comida apresenta uma tendência bastante incomum: um aumento de mais de 66% no número de vagas abertas em 2017 comparado com 2016, e ao mesmo tempo uma queda de mais de 70% na procura pelas profissões ligadas ao setor. A posição de líder de cozinha teve um crescimento anual de mais de 96%, o que indica uma falta de profissionais altamente especializados no país. E especialização será a chave para o sucesso do profissional do setor no futuro: entre as posições mais difíceis de serem preenchidas, além de chefe de cozinha, estão profissões como padeiro, pizzaiolo, sushiman e confeiteiro.

Educação e treinamento

Educação e treinamento é mais uma área em que continuamos a ver uma forte demanda, especialmente nos países em desenvolvimento e nas economias emergentes, onde existe demanda reprimida. Enquanto isso, a explosão da aprendizagem online e da educação continuada abrem novas possibilidades e criam novas profissões ligadas ao setor. A constante qualificação do indivíduo, nos aspectos acadêmico, profissional ou pessoal tem se tornado uma necessidade e o ensino à distância é um facilitador nesse processo.

A tecnologia será companheira inseparável do aluno do futuro, mas a transmissão e criação de conhecimento continuarão a depender da ação humana direta. No Brasil, entre 2016 e 2017 o número de vagas ligadas à educação, em suas mais diversas formas – de pedagogos e professores de línguas a instrutores de educação física – cresceu quase 10%. Por outro lado, a busca por esse tipo de emprego caiu cerca de 15%.

Marketing e comunicação

As máquinas fazem muitas coisas bem, mas descobrir ideias novas de forma independente ainda não é uma delas. As profissões criativas, que se concentram na complexa interação de ideias, palavras e imagens com valores culturais e sociais compartilhados, também irão prosperar no futuro. A inteligência social e a alfabetização de novas mídias são habilidades fundamentais a serem cultivadas por quem quer trilhar o caminho da comunicação.

Recentemente, as áreas de marketing digital e relações públicas têm experimentado um crescimento substancial, e provavelmente continuarão a fazê-lo, especialmente em mercados emergentes onde estas profissões ainda não estão plenamente desenvolvidas. De acordo com o Indeed, o número de vagas abertas na área de marketing digital cresceu 75% entre 2016 e 2017, enquanto a procura pela área cresceu 69%. Na área de relações públicas, o aumento foi ainda maior: certas posições, como auxiliar de relações públicas, chegaram a dobrar a quantidade de vagas abertas nesse período. A busca por vagas destes segmentos nos níveis de estagiários, auxiliares e analistas cresceu significativamente. O profissional de comunicação e marketing do futuro precisará de profundo conhecimento tecnológico, à medida que mais e mais nos comunicamos por canais virtuais. Mas quanto mais cresce a importância da inteligência de máquina para a profissão, cresce em igual medida a necessidade de uma sensibilidade inerentemente humana.

Profissionais da saúde

Avanços médicos, dietas saudáveis, melhores condições de vida e cuidados com a saúde resultaram em uma expectativa de vida mais longa. O setor da saúde continuará a crescer e a se adaptar a uma população global que espera viver mais e melhor. O setor de saúde

está longe de se tornar automatizado; é composto por carreiras que tem como centro as pessoas. O sucesso nessas carreiras está atrelados à fortes habilidades interpessoais, bem como dedicação e paciência, que dificilmente serão substituídas por máquinas em um futuro próximo. De acordo com a classificação de dados do Indeed, uma vaga aberta há mais de 60 dias é considerada como difícil de ser preenchida. Por conta das características específicas necessárias para atuar como profissional de saúde, já nos dias de hoje mais de 10% das vagas em áreas como enfermagem são consideradas difíceis de serem preenchidas. O envelhecimento da população, atrelado à necessidade inerente de contato humano que a área requer, faz dessa uma das áreas de atuação humana com maior potencial de crescimento no futuro próximo.

Fonte: RevistaNews

Primeiro Emprego

Cinco dicas para conseguir o primeiro emprego

Considerar o que você quer fazer no trabalho é um passo importante para decidir onde empenhar esforços no momento de encontrar o emprego certo

Redação, Administradores.com, 

Primeiro Emprego

iStock

Muito se fala nas dificuldades de conseguir o primeiro emprego ou sobre dicas para melhorar o currículo para conquistar uma vaga no mercado de trabalho. Mas no meio do caminho, sempre existem aquelas dúvidas ou surpresas que você pensa “ninguém me contou sobre isso antes”.

Com o passar dos anos, as habilidades para buscar e encontrar um emprego são aprimoradas. Um recente estudo com dados relacionados à busca do primeiro emprego, elaborado pelo Indeed — ferramenta online de buscas de empregos — revelou alguns passos importantes para obter sucesso na busca pela primeira contratação. Confira abaixo cinco dicas para que você tenha um melhor resultado, segundo estudo do Indeed:

1) Considerar o que você quer fazer no trabalho

Esse é um passo importante para decidir onde empenhar esforços no momento de encontrar o emprego certo. Considere os papéis que já desempenhou na sua escola ou na comunidade, de um modo geral. Trabalhos voluntários realizados e outras experiências onde você aplicou as suas habilidades e interesses, também contam. Não mire para todos os lados. Tenha foco e considere seus interesses na hora de buscar um emprego.

2) Se candidatar às ofertas de trabalho

Antes de se candidatar a uma vaga de emprego, faça uma revisão final em seu currículo. Neste momento, você quer garantir que ele seja a sua melhor representação e não contenha nenhum erro de ortografia ou digitação. Você pode pedir a um amigo ou parente que o revise para você.

Depois, crie alertas de emprego a serem enviados para você diariamente ou semanalmente. Os alertas de emprego são atualizações regulares por e-mail sobre novos empregos que vão de encontro ao seu interesse.

Você pode criar um número ilimitado de alertas de emprego. Da sua conta, você pode gerenciar os alertas ao configurar como você gostaria de receber as atualizações por e-mail e pausando ou deletando alertas.

3) Esperando uma resposta

Uma parte inevitável da procura por emprego é esperar que os empregadores entrem em contato com você. Alguns empregadores podem enviar um e-mail confirmando o recebimento de sua candidatura e informando que entrarão em contato caso desejem seguir adiante. Outros podem não responder.

Quanto tempo você deve esperar uma resposta ante de partir para outra? Não existe uma resposta padrão para esta pergunta. A quantidade de tempo que leva para revisar uma candidatura para cada oferta varia de acordo com o emprego e a empresa.

Enquanto você aguarda uma resposta, é importante continuar a sua busca por emprego. Continue pesquisando novas oportunidades e se candidatando a novos empregos. Defina os alertas de emprego e siga a Página de Empresa do empregador dos seus sonhos para receber atualizações quando novas ofertas forem postadas

4) Esteja atento para empregos suspeitos

O Indeed trabalha para identificar e remover conteúdo suspeito dos resultados da busca. Para a sua segurança, proteja as suas informações pessoais, nunca aceite dinheiro por um trabalho não realizado e não realize nenhuma transação financeira em nome de um empregador em potencial.

5) Entrevista

O processo de entrevista e contratação é realizado de forma diferente de acordo com cada empresa. Utilize as informações que estão disponíveis no site da empresa a seu favor. Procure saber como é o código de vestimenta e o que as pessoas que trabalham na empresa costumam usar.

Enquanto você se prepara para as entrevistas, pense em exemplos da sua experiência de vida que sejam relevantes para compartilhar. Combinar as suas experiências com o que os gerentes desejam é a melhor maneira de causar uma boa impressão. E, por último, mas não menos importante, seja confiante.

6 passos para conseguir um aumento de salário em 2018

O especialista em negociação pela Harvard Business School, Breno Paquelet, especificou quais são

Pedir Aumento

Getty Images

Especialistas costumam dizer que o final do ano é a melhor época para se pedir um aumento de salário. Isso porque é o período em que os feedbacks normalmente são feitos e quando as empresas definem o orçamento para o próximo ano, o que cria uma boa oportunidade para o colaborador de abordar o assunto.

Este, entretanto, não deve ser o único fator considerado para ter uma conversa sobre negociação de salário, segundo o especialista em negociação Breno Paquelet, formado pela Harvard Business School: ainda é necessário que o colaborador “tenha sensibilidade para escolher o momento mais oportuno” para conversar com o gestor.

Para que as chances de sucesso sejam maiores, Breno recomenda também que o colaborador não tente negociar seu salário se estiver há menos de um ano na empresa, além de ter argumentos para “embasar” o pedido.

No geral, Breno afirma que é importante seguir cinco passos para ser bem-sucedido na negociação.

Confira a seguir quais são:

Tenha critérios objetivos para reforçar o pedido

Ao invés de ter como motivações para o pedido questões emocionais, é importante ter dados e informações concretas para que a conversa seja melhor fundamentada. Por isso, é importante: buscar informações sobre a média salarial em empresas do mesmo segmento, listar as realizações do último ano e quais os benefícios que trouxe para a empresa. É recomendável também trazer seu histórico dentro da empresa

Um bom argumento para justificar seu pedido é mencionar quais ganhos a empresa pode ter com eles. “Pense que a empresa vai decidir a favor do seu aumento pelos motivos dela”, disse o especialista, que recomenda que não sejam usados argumentos pessoais.

Não afronte

Breno explica que deve existir uma preocupação com o relacionamento entre gestor e funcionário no momento da negociação – e, considerando que o gestor tem preocupações que vão além do fator financeiro, é importante não dar ultimatos e confrontar sua decisão – portanto, expressões como “é isso ou nada” e “começarei a procurar outro emprego” são quase proibidas.
Mapeie todas as partes envolvidas Além de você e seu gestor, outras pessoas estão envolvidas no possível aumento de salário. A recomendação de Breno é: “Tente pensar em pessoas de confiança dele que poderão ser consultadas na avaliação de seu aumento e faça com que suas realizações cheguem ao superior do seu gestor informalmente, para que ele possa dar apoio ou pelo menos não vetar a questão”.

Aceite várias formas de pagamento

É importante pensar em outras formas de “pagamento” que façam sentido para você além do aumento de salário. Flexibilização no horário de trabalho, apoio em pagamento de parcelas, pagamento de curso, entre outras, são algumas delas

Não tente apressar a negociação

Dificilmente uma negociação de salário será fechada em uma única conversa, então evite retomar o assunto pouco tempo após a primeira conversa com seu gestor. Dê alguns dias para que ele pense no assunto e depois retome a conversa, ou deixe para que seu gestor o faça.

Fonte: Infomoney

Funcionários do Google confessam as piores partes de trabalhar na empresa

Muitos profissionais sonham em trabalhar no Google, mas quem já passou por lá afirma que nem tudo são flores.

Trabalhar na Google

Muitos profissionais sonham em trabalhar no Google. A companhia, multinacional de serviços online e software dos Estados Unidos, foi fundada por Larry Page e Sergey Brin enquanto os dois estavam frequentando a Universidade Stanford.

Entre muitas qualidades, oportunidades de carreira e uma cultura interna saudável, a empresa também possui seus lados não tão positivos. Ao Quora, um site de perguntas e respostas, funcionários atuais e antigos do Google revelaram a pior parte de trabalhar na gigante da tecnologia.

Em sua maior parte anônimos, eles contaram que trabalhar na empresa pode não ser o que muito acham. As repostas são de usuários do mundo todo, e nenhum especificou sua localidade.


O InfoMoney selecionou alguns relatos, confira:

É difícil ter uma conversa franca com colegas de trabalho

Vlad Patryshev, ex-engenheiro de software afirma: “É difícil discutir qualquer problema. As discussões objetivas são raras, uma vez que todos os funcionários são individualistas devido à cultura da empresa e não estão interessados em opiniões de outras pessoas, a menos que sejam os diretores e pessoas importantes lá dentro”.

Ninguém acredita quando você diz que o emprego não é perfeito

Katy Levinson, ex-engenheira de software: “As pessoas ficam perguntando porque você saiu ou fazem questão de confirmar se você ainda trabalha lá e insistem que trabalhar lá “deve ser perfeito”. Eles só querem ouvir quanto você está entusiasmado e quanto você quer ficar na empresa, mas todas as companhias têm problemas”.

O Google é tão grande que você pode ser contratado por engano

“Eu fui chamado pelo Google para uma posição de gerenciamento. Mas ao mesmo tempo que fui contratado, outra pessoa com o mesmo nome também foi selecionada. De alguma forma o RH trocou informações e confundiu tudo. Quando comecei no primeiro dia, decobri que eu fui contratado para uma posição júnior e a vaga de gerência foi para o outro homem com o mesmo nome que eu”.

A empresa só se preocupa com metas

A empresa apenas se preocupa com melhorias mensuráveis. “Qualquer melhoria não baseada em metas rígidas não é considerada positiva”, disse um antigo engenheiro de software do Google. “Qualidade e usabilidade dos produtos? Ninguém se importa, se você não mostrar em números ou não se tiver como medir”.

Muita gente inteligente, mas líderes ruins

“Tem muito profissional inteligente, mas que são gerentes e líderes horríveis”. “As pessoas são promovidas para cargos gerenciais, não porque realmente saibam liderar, mas porque são inteligentes e batem metas”, disse um ex-gerente de programa técnico.

O Google é tão grande que você pode não fazer diferença

“Trabalhei no Google por 3 anos e foi muito difícil sair, mas um fator importante me ajudou a tomar a decisão – o impacto que eu teria no negócio como indivíduo era mínimo. O Google é uma empresa incrível, mas a menos que você seja um engenheiro incrivelmente talentoso que comece a criar algo novo, é provável que você seja simplesmente um profissional que faça parte de uma pequena engrenagem que faz a máquina funcionar, sem muito reconhecimento”.

Fonte: InfoMoney

O que é o currículo cego e por que ele importa para sua carreira

Adotado na Europa, “CV cego” exclui dados pessoais como gênero e idade para driblar o preconceito dos recrutadores. Será que a ideia pega no Brasil?

O que é o currículo cego e por que ele importa para sua carreira

Imagem: Deklofenak/Thinkstock

Já imaginou se candidatar a uma vaga de emprego sob a condição de omitir informações básicas sobre si mesmo, como nome e gênero? Essa é a premissa do “currículo cego”, modelo que começa a ganhar força no mundo do recrutamento na Europa.

Nesse tipo de CV, dados como idade, gênero, nacionalidade e endereço do(a) candidato(a) não aparecem. Nome e sobrenome são substituídos por iniciais e, se necessário, o endereço de e-mail sofre adaptações para que não seja possível saber como a pessoa se chama.

O objetivo é evitar que o recrutador seja influenciado por seus preconceitos — sejam eles conscientes ou não. Protegida pelo anonimato, a pessoa que se candidata à vaga não é descartada automaticamente por olhares sexistas ou racistas, por exemplo, e pode ser analisada somente por seu perfil profissional.

Na Alemanha, candidatos com nomes tipicamente germânicos têm 14% mais chances de serem chamados para uma entrevista de emprego do que aqueles que têm nomes característicos da Turquia, pátria de grande parte dos imigrantes no país.

O exemplo não é isolado. Diversas empresas e governos do velho continente vivem um problema que se acentuou com a crise migratória: a discriminação de profissionais com nomes ou sobrenomes típicos do Oriente Médio ou da África — o que embasa a omissão desse dado na primeira etapa do recrutamento.

Desde 2014, na França, qualquer empresa com mais de 50 funcionários é obrigada por lei a usar o modelo do “CV cego”. Países como Holanda e Reino Unido também aprovaram essa política para o recrutamento de pessoal para o governo, e incentivam as empresas privadas a fazerem o mesmo.

Europa x Brasil

Para Ricardo Basaglia, diretor da consultoria de recrutamento Michael Page, é urgente reduzir a discriminação nos processos seletivos, mas a proposta do “currículo cego” se aplica ao contexto europeu, e não ao brasileiro.

“Como não temos tantos imigrantes como a Europa, o preconceito não aparece tanto por causa do nome da pessoa”, diz o diretor da Michael Page. “Por aqui, a questão surge mais na etapa presencial, nas entrevistas, e não tanto na fase de análise do currículo”.

Qual é a saída então? Na visão do executivo, é preciso investir em mudanças culturais mais amplas — uma oportunidade aberta em um momento histórico de profunda discussão sobre diversidade.

“Acredito que ferramentas que buscam reduzir automaticamente as chances de discriminação são bem-vindas, mas precisam ser trabalhadas em conjunto com uma transformação na mentalidade dos tomadores de decisão”, explica.

Ana Alice Limongi-Gasparini, diretora de RH da NeoBPO, até agora não viu nenhuma empresa brasileira colocar em prática o modelo do “currículo cego”.

Na visão da executiva, a melhor forma de atacar o problema, no nosso caso, é investir em treinamento e acompanhamento dos recrutadores. O primeiro passo é analisar se a diversidade está presente no conjunto de pessoas que chegam às fases finais dos processos seletivos, além de fazer pesquisas de clima sobre o assunto para embasar o diagnóstico.

“Se for realmente percebida a necessidade de interferir, é importante acompanhar processos seletivos para observar o que está impedindo a contratação de certos grupos, mas sem direcionamentos forçados”, diz Limongi-Gasparini.

O caso Nubank

Exceção no cenário nacional, o Nubank decidiu instituir uma etapa “cega” em um dos seus processos seletivos — sem relação com o currículo, porém.

O mecanismo aparece em uma das etapas do recrutamento de engenheiro de software da startup brasileira.

Funciona assim: um dos exercícios propostos para medir os conhecimentos do(a) candidato(a) sobre códigos de programação deve ser entregue à equipe examinadora sem qualquer referência ao seu nome ou quaisquer dados pessoais.

“A omissão da identidade permite que o foco da avaliação esteja apenas no trabalho desenvolvido pela pessoa”, explica Daniela Belisário, diretora de RH do Nubank. “Fizemos isso porque percebemos que a primeira avaliação não demandava mais do que a resolução do exercício em si”.

A seleção não acontece de forma totalmente anônima: há uma conversa prévia com os candidatos para analisar se eles se encaixam no perfil procurado. Após a avaliação “cega”, novamente eles são vistos pelos avaliadores para explicar por que resolveram o exercício daquela forma.

“Queremos times diversos e há vários processos para alcançar esse objetivo”, afirma Belisário. “De forma ‘cega’ ou não, buscamos a pessoa perfeita para cada vaga, independentemente de raça, gênero ou orientação sexual”.