Como desenvolver uma resiliência extraordinária

Resiliência é uma capacidade de superar os problemas, adaptar, aprender, mas sem ser tragado por eles

Leo Babauta, 11 de janeiro de 2018

Resiliência extraordinária

Resiliência (iStockphoto)

Todos nós vivemos atolados em dificuldades, obstáculos, dores, cansaço e mil outros problemas, pequenos ou grandes.

O que determina se vamos superar esses contratempos ou se vamos deixá-los nos derrubarem é algo que os psicólogos chamam de “resiliência”. É uma capacidade de superar os problemas, adaptar, aprender, mas sem ser tragado por eles.

Descobri que a resiliência é um fator importante na minha própria jornada, das lutas por que passei durante as mudanças financeiras e de saúde ao longo dos anos até a navegação pelas águas desconhecidas e assustadoras do empreendedorismo.

A resiliência me permitiu:

  • Correr várias maratonas e uma ultramaratona (entre outros desafios físicos) mesmo machucado ou com contratempos nos treinos;
  • Publicar vários livros e cursos, mesmo em meio a problemas pessoais, medos, atrasos por conta de procrastinação, dentre outros;
  • Enfrentar desafios como dívidas ou queda na renda com uma atitude positiva, lidando com tais desafios à medida em que eles apareciam;
  • Criar seis filhos (com uma pequena ajuda da minha esposa), não importando quais as dificuldades que eles enfrentam ou qual a minha bagagem como pai;
  • Lidar com mortes na família com o coração aberto, não apenas encontrando compaixão no meu luto, mas também ajudando outros familiares em seus respectivos lutos.

Nada disso é para fazer alarde, apenas para mostrar o poder da simples resiliência. Não sou melhor do que nenhum outro ser humano, mas a resiliência me ajudou a lidar com essas dificuldades e acredito que pode ajudar você também.

É algo poderoso. Mas como desenvolvê-la? Porque, não se engane: é um conjunto de capacidades que podem ser desenvolvidas com o tempo. Algumas pessoas nascem com uma tendência maior à resiliência, mas todos nós podemos melhorar nesse aspecto.

Vou apresentar um conjunto de práticas para você trabalhar, caso queira desenvolver uma resiliência extraordinária. Espero que seja útil para você.

As práticas de resiliência

Seja qual for o problema que você enfrente — estresse, dificuldades, dores, lutos, reveses, fracassos, desapontamentos, frustrações, raiva, incertezas (grandes ou pequenas) — veja isso como uma oportunidade de praticar.

1. Perceba o que você não vê. Quando você está frustrado, desapontado ou entediado, você vê apenas a falta, o lado “ruim” das coisas. Isso significa que você está cego para o panorama — no momento em que alguém é rude, você é capaz de perceber que aquela pessoa enfrenta uma dor, que ela tem um coração terno dentro dela, que ela é, na verdade, um presente? Você percebe a vida, a luz do sol ao seu redor, os sons maravilhosos que chegam aos seus ouvidos? Em cada momento, há coisas maravilhosas para perceber, e quando focamos apenas nas partes que não gostamos, ficamos presos em uma visão de túnel e perdemos o que há de melhor na vida. Qual é a maravilha que você não está enxergando agora?

2. Foque em algo maior do que você. Como pai, é fantástico o que eu passo para ajudar meus filhos. Eu me coloco em situações de grande desconforto, se isso significa protegê-los, ajudá-los de alguma forma — e não parece nem um pouco com sacrifício. Pessoas que servem outras conhecem esse sentimento: quando você está fazendo algo por outros, o desconforto é algo que só percebemos depois. Quando você enfrenta uma dificuldade, se você se conectar sua tarefa a algo maior do que você, servir aos outros e não a você mesmo… a dificuldade se torna insignificante. Dessa maneira, cada dificuldade pode ser vista como coisa pequena.

3. Pratique a compaixão (por si e pelos outros). Quando você sente dor, apenas note isso. Deseje a si mesmo paz e felicidade, assim como você desejaria a um ente querido. Se alguém diante de você está com raiva ou irritado, deseje paz. Cada interação difícil é uma oportunidade para praticar essa habilidade-chave.

4. Veja como parte do seu crescimento. Quando você enfrenta um revés, não é o fim da estrada. É parte dela. Nenhuma jornada vale o trajeto se não tiver desconfortos e contratempos. Portanto, ao invés de pensar negativamente acerca de cada desafio que você enfrenta, enxergue-o como uma bela parte de seu crescimento pessoal.


5. Pratique a flexibilidade e adaptação. Rigidez só traz frustração. Se aprendermos a ser flexíveis e nos adaptarmos a qualquer situação, seremos mais felizes e bem-sucedidos em qualquer coisa que tentemos fazer. Quando você estiver no meio de uma situação desafiadora, pergunte-se como é possível ser mais flexível. Quando você for atingido por um fracasso, pergunte-se como se adaptar e melhorar para que você tenha sucesso na próxima tentativa. Veja como uma oportunidade de melhorar, de se tornar mais flexível na maneira de pensar e ser mais adaptável — nunca extinguível.

6. Encontre o prazer e a alegria. Cada situação volátil, cada desconforto e dificuldade trazem consigo algum tipo de encantamento, de prazer e alegria. Precisamos apenas encontrá-los. Abra seu coração. Pare de tentar rejeitar a situação e, ao invés disso, como uma criança, enxergue a maravilha nesse momento da vida.

7. Toda situação é um professor. Todas as coisas que aparecem diante de você são seus professores. Você pode rejeitar a lição e vê-la como algo que não quer para a vida ou você pode abrir sua mente para ela e descobrir como essa situação, essa pessoa, esse contratempo, pode lhe ensinar algo. Qual das lições elencadas acima está sendo ensinada para você? Você está recebendo a oportunidade de melhorar em qual das práticas descritas acima? Quando você descobrir, encontrou a chave para uma melhor resiliência.

Em cada momento, você tem uma escolha. Você quer sucumbir às dificuldades, desejando que elas evaporasem, ou você quer ficar mais forte com elas, aprender com elas, abrir-se para as brilhantes lições e fantásticas experiências?

Em cada momento, você tem a oportunidade de praticar. Não é fácil. Mas é o caminho da resiliência e do amor.


O artigo foi publicado no blog do autor e cedido gentilmente ao Administradores.com.

Fonte: Administradores.com

Como fazer um currículo com muito mais chances de ser lido

Um currículo bem feito leva tempo, mas pode dar a vantagem competitiva fará a diferença entre ser chamado para uma entrevista de emprego ou não

Currículo bem feito

Currículo bem feito: é preciso ler e reler o arquivo em busca de erros de digitação e português, que dão grande desgosto aos recrutadores, lembra especialista (AndreyPopov/Thinkstock)

Sete segundos. É o tempo que um empregador médio leva para ler um currículo, de acordo com a Harvard Business Review. Em mercados de trabalho cada vez mais disputados, um currículo bem feito, além de agregar valor à sua candidatura, pode se tornar também uma vantagem competitiva.

Especialista em carreiras e especialmente atenta aos millennials, Eline Kullock já viu milhares de CVs ao longo da carreira.

Entre bons, ruins, médios e terríveis, ela conclui que não existe atalho para criar um documento infalível. E é justamente aí, na busca por uma receita rápida, que os jovens ficam presos.

“A Geração Y é implementadora, mas planeja pouco”, explica. “Por isso, sempre sugiro que o jovem pare e planeje seu currículo. Não faça de qualquer jeito, porque é importante para você.”

A importância do currículo

Laszlo Bock, vice-presidente sênior de Operações Pessoais do Google, já desabafou que dar de cara com CVs ruins é frequente. O que o perturba é quando é possível ver que o candidato tem potencial. “O mais deprimente é que consigo entender que muitas pessoas são boas, às vezes ótimas”, disse.

Investir tempo na criação de um currículo, portanto, é algo que dá retorno. “É preciso refletir sobre sua carreira e não só sobre seu CV”, aconselha Eline. “Tente pensar em como transmitir, clara e honestamente, que você absorveu coisas novas.” Sem televisão ao fundo ou celular nas mãos, pense com calma no que viveu e no que vale a pena expor aos possíveis empregadores.



A questão da trajetória, fundamental na hora da entrevista, deve transparecer no currículo. Por isso, é possível incluir também trabalhos universitários ou voluntários entre suas experiências. Mesmo que não tenham sido projetos remunerados, merecem destaque se ajudaram a aprimorar habilidades como trabalho em equipe ou visão estratégica, por exemplo.

“Se estiverem fora da ‘linha’ de carreira, é algo que vai suscitar uma pergunta na entrevista e servir de gancho para desenvolver a resposta”, diz ela.

A mesma lógica vale para quem tem muitas experiências e pouco espaço: escolha as mais formadoras e que façam parte da sua narrativa. Eline compara um currículo com jogar uma pérola na mesa: tendo fisgado o interesse do empregador, você terá tempo para completar as lacunas e mostrar pessoalmente o que mais sabe fazer.

Estrutura do currículo

É tentador inovar no formato de um currículo, mas a não ser que seja essa sua linha de trabalho (algo como design, artes, etc.), melhor se ater ao básico. O estilo ideal ainda é papel branco, margens fixas e fontes tradicionais na cor preta e em tamanho legível.

Para facilitar a leitura, use um espaçamento consistente e experimente com itálicos, sublinhados, e negritos para destaque. Conclua exportando o documento no formato PDF, para não perder a formatação.

Logo após seus contatos pessoais, descreva seu objetivo em uma ou duas frases. Deve ser algo curto, simples e refletir brevemente sua expertise, como se fosse um ‘pitch de elevador’. Essa frase inicial pode ser customizada de acordo com cada candidatura e deve aliar claramente sua experiência com as necessidades da vaga.

Eline frisa a importância de não listar suas próprias habilidades aqui, como “administrador com boas relações interpessoais”. É comum, mas errado. “Não cabe a você se autoavaliar porque quem vai fazer isso é seu entrevistador”, resume.

É algo que salta aos olhos, já que um bom currículo é aquele que foca em ações e resultados. Portanto, elimine o polêmico campo ‘Habilidades’ do seu arquivo e guarde essas informações para um encontro em pessoa.

Parte 2: Experiência
Em seguida, é hora de preencher o campo mais temeroso para alguns. A ordem cronológica deve ser inversa, do posto atual ou mais recente ao mais antigo. Se estiver na mesma função há vários anos, invista em mais espaço para mostrar como cresceu por lá.

O que colocar como experiência é uma dúvida recorrente, especialmente entre os mais jovens com pouca ou nenhuma atuação no mercado. “É importante mostrar que você foi à luta, que cresceu e que absorveu coisas novas”, sintetiza Eline, lembrando novamente que aqui cabem diversos tipos de atividades, como estágio de férias ou voluntariado. “O que vai ali é o que te enriqueceu como profissional.”



Quem dispuser de números e dados que quantifiquem resultados, como ‘número de visitantes cresceu 50%’ ou ‘o portfólio de clientes dobrou’, deve fazê-lo. Isso porque é mais importante descrever suas conquistas que suas responsabilidades. Como você fez a diferença? Que metas atingiu? Que projetos criou ou implementou?

Também é preciso otimizar suas chances. Como a maioria das candidaturas e pesquisas por parte dos recrutadores são feitas online, ter um currículo alinhado com as palavras-chave do momento é fundamental.

Um bom recurso é a página de competências mais buscadas no Linkedin, em que é possível pesquisar termos populares dentro de sua própria profissão.

Parte 3: Formação
Neste campo ficam todas as informações educacionais e diplomas, como escolas, universidades e outros cursos acadêmicos, como especializações, extensões e intercâmbios. Seja sucinto e inclua nome da instituição, tipo de diploma, curso, cidade e ano de conclusão.

É aqui também que ficam as informações sobre outros idiomas. “Por favor, coloque os níveis corretamente e não diga que é fluente se não for”, pede Eline, que vê exageros com frequência.

“A pior coisa que você pode fazer é mentir no seu currículo, então prefira ser comedido para na hora poder se explicar.”

Parte 4: Referências
Encerre o CV com uma lista de três referências, com nome, cargo, telefone e e-mail de cada uma. Se a relação entre vocês não estiver clara, será possível fazer a ponte numa futura entrevista.

Sobre a inclusão de links de portfólio ou envio de trabalhos para avaliação, vale o bom senso. “É preciso olhar para sua área e para onde você está se candidatando”, fala a especialista.

Erros mais comuns

1. Incluir uma foto sua ou outros dados desnecessários
“A não ser que você trabalhe como modelo, ter sua foto ou gênero no currículo é totalmente desnecessário”, ri Eline.

Também são desnecessários dados em excesso, como RG e CPF, e endereços de e-mail pouco profissionais: tenha um com seu nome ou palavra neutras, sem adjetivos, apelidos ou diminutivos.

2. Erros de digitação e/ou gramática
Em seguida, é preciso ler e reler o arquivo em busca de erros de digitação e português, que dão grande desgosto aos recrutadores e praticamente garantem que o currículo vá parar no fim da fila.

3. Esquecer de incluir alguma coisa
É uma boa ideia enviar o CV para olhos frescos de amigos, mentores e colegas mais experientes antes de usá-lo profissionalmente. Peça feedback tanto ortográfico quanto crítico e faça perguntas para preencher as lacunas.

Seu currículo chama atenção positiva ou negativamente? Há algo que você fez que não esteja lá e deva estar (ou vice-versa)? Está legível ou confuso?



4. Omitir informações
Outro erro comum é a omissão de informações que o candidato considera desfavorável, como tempo de permanência curto. Como a experiência foi suficientemente relevante para garantir um lugar no currículo, não tem problema colocar ali que durou pouco.

Esforce-se na descrição para demonstrar o que foi conquistado ali e, caso a duração vire assunto na entrevista, esteja pronto para responder o que aconteceu.

A mesma lógica se aplica a pessoas que têm hiatos longos, às vezes de anos, entre uma experiência profissional e outra. Ninguém fica quatro anos sem fazer coisa alguma – e o buraco chama a atenção de quem está lendo.

Preste atenção nas redes sociais

Existem pessoas totalmente desligadas das redes sociais e, se você for uma delas, pode pular essa seção. Caso contrário, é hora de refletir sobre sua presença online.

Perfis em redes pessoais como Facebook, Twitter e Instagram associados ao seu nome são parte da triagem profissional com frequência cada vez maior, então é preciso estar atento às mensagens que transmitem.

Isso não significa que não é mais possível se expressar livremente, mas que o bom senso é vital quando se trata de quem pode ver o quê.

Se o candidato está em plena busca por emprego, enviando currículos e participando de processos seletivos, é uma boa ideia deixar perfis no modo privado ou ajustar as configurações de privacidade.

Laszlo Bock, do Google, oferece um teste bastante útil em tempos de exposição múltipla. “Se você não quer ver algo ligado ao seu nome na página principal do ‘The New York Times’, não coloque no currículo”, escreveu ele.

Opiniões fortes, notícias falsas, informações confidenciais de outras empresas, fotos não profissionais… Tudo isso pode influenciar um avaliador.

O exemplo é extremo, mas instrutivo. Pense em seus perfis como uma extensão audiovisual do seu currículo: se houver alguma coisa ali que você não quer ver ou comentar durante uma entrevista de emprego, apenas não deixe visível para qualquer um.

Por fim, alinhe seu currículo novo com a versão online do LinkedIn, que deve estar sempre atualizada e profissional.

“Ali, é possível ir além do currículo, integrar grupos de discussão e pesquisar empresas pelas quais você se interessa”, lembra Eline. “É uma forma de se comunicar com o mercado que envolve pensar estrategicamente.”

Fonte: EXAME.com


Como sobreviver períodos em que nada parece dar certo?

Resiliência é a capacidade de um material voltar ao seu estado natural após alguma situação crítica e fora do comum

Resiliência

(Foto/Thinkstock)

A roda parece girar em falso. A sensação é de que nunca se trabalhou tanto e se obteve tão pouco resultado. Percepção típica de tempos de crise, ela vem acompanhada do medo de perder o emprego, do aumento de tarefas por causa das equipes cada vez mais enxutas, da pressão por maior produtividade e da exigência para fazer mais com menos.

Como uma tentativa de se mostrarem essenciais e de garantir seu cargo, os profissionais dão mais de si mesmos e dedicam mais horas ao serviço. Ao longo do tempo, isso leva a esgotamento físico e mental. “Há uma grande pressão por maior desempenho, mas as condições das empresas e do mercado dificultam esse processo, angustiando ainda mais os funcionários”, diz Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR).

Com isso, aumentam os casos de depressão, ansiedade e de crises de pânico. (Dados da Secretaria de Previdência Social indicam que os benefícios de auxílio-doença concedidos devido a transtornos de ansiedade subiram 27,6% nos últimos cinco anos.)

O desafio é duplo para o líder de recursos humanos, que não só precisa ajudar a mão de obra a sobreviver nesse cenário como também ele próprio navega por águas turbulentas. “O RH está no meio do sanduíche: pressionado pelos profissionais que estão numa posição desconfortável e também dos executivos que esperam que ele faça alguma mágica”, diz Ana Maria Rossi.

Como sobreviver a períodos como este, em que, por mais que se trabalhe, nada sai? Resiliência parece ser a palavra de ordem para responder a essa pergunta.

A ciência explica

Resiliência é diferente de resistência. Emprestado da física, o primeiro diz respeito à capacidade de um material voltar ao seu estado natural após alguma situação crítica e fora do comum. No âmbito da gestão de pessoas, “é a habilidade de se adaptar à situação e de superar uma adversidade, tornando-se um indivíduo ou profissional melhor”, diz Ana Maria.

Ser resistente, por sua vez, é apenas lidar com a situação — sem ganho algum. Uma pesquisa recente da Isma-Br mostra que somente 23% dos profissionais no Brasil têm características que levam à resiliência: entre eles, 93% têm a autoestima elevada, 86% praticam o autocontrole por meio de técnicas de relaxamento, e 81% são flexíveis para lidar com as frustrações. Entre os resistentes, 85% se queixam de dores musculares, e 74% usam de bebidas alcoólicas ou medicamentos para lidar com as adversidades do dia a dia.

Têm mais dificuldade para lidar com essas conjunturas os indivíduos agressivos (aqueles que sempre buscam um culpado por tudo) e os passivos (que engolem sapos com frequência). No fundo, ninguém nasce resiliente — mas algumas características ajudam a desenvolver essa qualidade.

Para a presidente da Isma-Br, são três as principais variáveis a ser praticadas: a autoestima, a flexibilidade e a rede de contatos (tanto a profissional quanto os amigos). A assertividade, a arte de dialogar racionalmente e verbalizar suas posições sem se indispor com o outro, também é uma característica fundamental quando “o bicho pega”.



Nesse ponto, é importante entender o processo encadeado por trás da tomada de decisão — campo de estudo de uma área relativamente nova da neurociência, a neuroeconomia. Claudia Feitosa-Santana, pós-doutora nessa matéria pela Universidade de Chicago, explica que quando decidimos por uma coisa ou outra levamos em conta dois níveis: o nosso (o que é bom para nós) e o dos outros (o que é bom para todos). Numa situação de perigo, como uma crise, “automaticamente agimos pelo nosso bem”, diz a especialista. Logo, ser resiliente não é aceitar a situação, mas, sim, ter consciência de que você pode estar fazendo algo do qual não concorda ou não gosta por uma causa que vai lhe beneficiar — como manter o salário, por exemplo.

Perda de energia

Outro conceito da física ajuda a entender a sensação de que nada vai para a frente nas empresas: a entropia. “É a grandeza que mede quanto de energia um sistema precisa para processar um resultado”, diz Cláudio Garcia, vice-presidente de estratégia e desenvolvimento corporativo da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH). Em outras palavras: a entropia indica a quantidade de esforço que um profissional deve empenhar até que a tarefa seja concluída. Quanto maior o resultado com menor energia, mais entrópico é o sistema.

O problema é que a crise aumenta a preocupação da liderança, que fica ainda mais desconfiada e centralizadora. Paralelamente, as organizações, para evitar custos desnecessários, também intensificam os controles, ao mesmo tempo em que reduzem as equipes. Resultado: muita luta e pouca finalização. Especialmente nos cenários adversos, as companhias deveriam investir em sistemas e processos que reduzissem o esforço do trabalhador pelo menos com as demandas administrativas.

Para Roberto Aylmer, especialista em gestão estratégica de pessoas e professor na Fundação Dom Cabral, cabe ao líder de RH puxar essa fila, atuando junto com os demais executivos. “Ele deve criar uma forma de gestão mais participativa, matricial e inteligente, com mais suporte da base”, afirma. Pensar em um propósito e causas coletivas também ajudam a enfrentar o turbilhão.

Diversos estudos apontam a ligação entre o propósito, o engajamento e a produtividade dos funcionários. Uma pesquisa da Korn Ferry Hay Group mostra que 1% de queda no engajamento impacta em até 22% a produtividade de um trabalhador. Segundo Elton Moraes, consultor sênior da consultoria, isso é resultado da perda de confiança nas lideranças e da falta de transparência das corporações durante a crise. “Ainda que a direção da empresa não saiba o que vai acontecer, ela precisa promover um contato direto com os trabalhadores, nem que seja para dizer que pode, sim, haver cortes, mas que ainda está contando com eles”, diz.

Se a comunicação for bem-feita e as pessoas se sentirem parte do todo, podem até sair fortalecidas do furacão. Para Cláudio Garcia, da LHH, situações de crises possibilitam criar mais vínculos e sensação de propósito entre as pessoas do que momentos de crescimento e sucesso. Ele cita um estudo da Darden School of Business, da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, que comprovou que os indivíduos que sofrem juntos formam laços que vão além do ambiente corporativo, contagiando clientes, fornecedores, parentes e sociedade. Ao gerar essas conexões sociais, as empresas contribuem para a formação da resiliência.

Fonte: EXAME.com

Novo Fies abre inscrições a partir de 6 de fevereiro

Programa trará mudanças na taxa de juros, no prazo de pagamento e ampliará a faixa de renda para os interessados

As regras começam a valer para os contratos firmados a partir do primeiro semestre de 2018. O estudante que já tem contrato em andamento poderá migrar para as novas regras. De acordo com o Ministério da Educação, no total serão criadas 310 mil vagas para o próximo ano.

Uma das principais mudanças do novo Fies é a oferta de 100 mil vagas a juro zero para estudantes mais carentes. As demais vagas terão juros variáveis de acordo com o banco onde for fechado o financiamento. Atualmente, a taxa de juros é fixa em 6,5% ao ano.

Segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, as taxas devem ficar bem menores que as praticadas hoje. “É possível financiar 100% do curso. As taxas de juros do Fies II serão determinadas pela política de crédito dos fundos constitucionais administrados pelos bancos regionais. Para cerca de 150 mil contratos [Fies II] você vai ter uma taxa de 3,5% no máximo, o que é um ganho enorme para jovens do nosso país”.



Fim da carência

Ficou estabelecido também o fim do prazo de carência de 18 meses, após a conclusão do curso, para que o estudante comece pagar o financiamento. O estudante deverá iniciar o pagamento no mês seguinte ao término do cursodesde que esteja empregado. O prazo máximo para pagamento será de 14 anos.

O dinheiro será descontado diretamente do salário do empregado que tiver emprego formal, por meio do eSocial, sistema já utilizado atualmente pelas empresas para pagar contribuições e prestar informações ao governo. Caso o estudante não tenha renda, o saldo devedor poderá ser quitado em prestações mensais equivalentes ao pagamento mínimo do financiamento. O mesmo critério será utilizado para o estudante que perder o emprego e para quem desistir do curso.

Para ser financiado, o curso de graduação deve ter conceito maior ou igual a três no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior ou ter autorização do MEC para funcionamento. Segundo Mendonça Filho, haverá cursos prioritários para financiamento. Cursos de formação de professores estão entre os priorizados.

Novas modalidades

Antes, o Fies era concedido apenas a quem tem renda familiar per capita de até três salários mínimos. O novo Fies tem novas modalidades destinadas também a estudantes com renda de até cinco salários. Os interessados devem ter nota mínima de 450 pontos e não podem zerar a redação no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), em uma ou mais edições desde 2010.

O novo Fies apresenta três modalidades. Na primeira, serão ofertadas as 100 mil vagas a juro real zero para estudantes com renda familiar per capita mensal de até três salários-mínimos. Os recursos para este financiamento virão da União.

A segunda modalidade é destinada a estudantes com renda per capita mensal de até cinco salários-mínimos. A fonte de financiamento serão recursos de fundos constitucionais regionais com risco de inadimplência assumidos pelos bancos. Serão ofertadas 150 mil vagas em 2018 para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A terceira modalidade também vai atender estudantes com renda per capita mensal de até cinco salários-mínimos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O risco de crédito também será dos bancos. Serão ofertadas 60 mil vagas para todos as regiões do país.

Pagamento de atrasados

Para quem está devendo prestações do plano, foi criado o Programa Especial de Regularização do Fies. O programa permite que aqueles que tiverem contratos atrasados, com parcelas vencidas até 30 de abril de 2017, possam fazer o pagamento quitando 20% do saldo em cinco vezes e o restante em até 175 parcelas.

Fundo Garantidor

A lei que altera o Fies também cria o Fundo Garantidor do Fies (FG-Fies) que será de adesão obrigatória pelas faculdades que participam do programa. O objetivo do fundo é garantir o crédito para os financiamentos. Dessa forma, mesmo com o aporte da União, o fundo será formado principalmente por aportes das instituições. A previsão é que tenha caixa de R$ 3 bilhões.

Sustentabilidade

De acordo com o Ministério da Educação, as mudanças têm o objetivo de garantir a sustentabilidade e continuidade do programa. Dados do ministério apontam que a taxa de inadimplência do Fies atingiu 50,1% e, em 2016, o ônus fiscal do fundo foi de R$ 32 bilhões. A expectativa do ministério é que a taxa de inadimplência caia para uma média de 30%.

Fonte: Guia do Estudante

Estas profissões podem acabar até 2030 (ao menos para os humanos)

Confira as apostas de dois especialistas para a automatização no mercado de trabalho e confira se a sua profissão está com os anos contados

Profissões do futuro

Robô e humano: colaboração ou substituição? (YakobchukOlena/Thinkstock)

Transporte autônomo, robôs que aplicam anestesia, criptomoedas e softwares de análise financeira. Tecnologias que já existem hoje prenunciam intensa transformação do mercado de trabalho no futuro e vão decretar o fim de carreiras e profissões tradicionais.

A automatização é certa e a substituição de humanos por softwares será rápida, sobretudo, em países mais desenvolvidos, como Japão, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Estudo da PwC indica que até um terço dos postos de trabalho nestes países podem ser ocupados por robôs até 2030. Não foi feita estimativa para o Brasil.

Segundo Arthur Igreja, especialista da AAA, plataforma especializada em tecnologia, inovação, disrupção e economia transformadora, o difícil não é prever se alguma profissão deixará de existir, mas sim prever quais vão ficar. Nos negócios: Descubra com a TOTVS o que é e como aplicar a transformação digital Patrocinado

O trabalho robotizado irá muito além de tarefas repetitivas, diz Igreja, que também é professor da FGV-RJ. “Hoje, com as redes neurais e a inteligência artificial, mesmo o conhecimento e o processo decisório podem sim serem incorporados por uma máquina”, diz.

Por isso, as profissões que estão com os anos contados são aquelas não só baseadas em repetição como também as carreiras que exigem extremo conhecimento específico. “ Pois uma máquina consegue aprender”, afirma.

A pedido do Site Exame, ele e Allan Costa, também especialista da AAA, elaboraram a lista abaixo com 10 profissões que vão acabar até, no máximo, 2030. Confira:

1) Piloto de avião

Quando a profissão será automatizada: entre 2025 e 2030
Justificativa dos especialistas: “o termo ‘piloto automático’ está longe de soar estranho. Atualmente, na maior parte do tempo sistemas computadorizados já pilotam as aeronaves. A interferência humana acontece especialmente nas etapas de decolagem e pouso, mas diversas empresas já fazem testes de aviões 100% autônomos. A BAE Systems testa um bimotor com 16 lugares e a empresa Universal Robots desenvolveu um braço robótico que foi capaz de pilotar um Boeing 737 com sucesso em um simulador. Estudos apontam que a economia anual pode ser de até 35 bilhões de dólares por ano (estimativas da UBS) caso grande parte dos voos comerciais fossem feitos sem a presença de pilotos humanos. ”

2) Anestesista

Quando a profissão será automatizada: 2025
Justificativa dos especialistas: “a gigante Johnson & Johnson desenvolveu o robô Sedasys que aplica com sucesso anestesias em pacientes que serão submetidos a tratamentos mais simples em clínicas e hospitais. O custo por procedimento cai de US$ 2.000 para US$ 150 e um médico é capaz de acompanhar múltiplos procedimentos em paralelo assim como acontece nas cirurgias com robôs. Apesar da venda do produto ter sido suspensa recentemente para maturação, os testes feitos em quatro hospitais americanos evidenciaram que em um futuro breve esta profissão deve ser automatizada”.

3) Analista de investimento

Quando a profissão será automatizada: 2023
Justificativa dos especialistas: “um terço das vagas de trabalho nos bancos de investimento em Wall Street desapareceram desde o ano 2000, segundo o autor futurista Martin Ford. Isso não aconteceu apenas pela digitalização das operações que eliminou andares de pessoas ao telefone comprando e vendendo ações. Os robôs que operam em alta frequência (HFT) já representam hoje mais de 50% das operações diárias no mercado americano de ações. A competição não é mais pelo melhor analista, mas pelo melhor algoritmo capaz de entender as condições do mercado e tomar decisões de investimento. ”


4) Engenheiro de software

Quando a profissão será automatizada: 2027
Justificativa dos especialistas: “engenheiros de software são escassos e têm altos salários especialmente no Vale do Silício. Ainda estamos na era da transformação digital dos negócios e isso requer exércitos de programadores. Estamos entrando na era onde a inteligência artificial e os frameworks de programação em alto nível permitem que software gere mais software. Desta forma, devemos ter uma gradual redução na demanda por engenheiros de software e um aumento na demanda de analistas de negócio capazes de modelar processos para que sejam então automatizados por ‘programadores robôs’.

5) Contadores e auditores

Quando a profissão será automatizada: 2030
Justificativa dos especialistas: “dois movimentos complementares devem impactar estas profissões: digitalização dos processos e aumento no uso de Blockchain. Contadores ainda estão envolvidos com tarefas que podem ser automatizadas em grande escala sendo a brasileira Contabilizei um exemplo de disrupção nesta área (a startup é considerada a empresa contábil mais inovadora do mundo segundo a Fast Company). Além disso, com as criptomoedas e registro de operações em Blockchain, o conceito de contabilidade desaparece, visto que todas as transações são públicas e tecnicamente impossíveis de serem fraudadas. O mesmo vale para auditores”.

6) Headhunter e recrutador (RH)

Quando a profissão será automatizada: 2023
Justificativa dos especialistas: “a convergência entre poderosos algoritmos de inteligência artificial, especialistas entre traçar o ‘match’ entre demanda e oferta, vai substituir a busca curricular tradicional. Muito além do que o uso de filtros, esses algoritmos são capazes de avaliar fotos, vídeos, posts e e-mails enviados por pessoas. Vivemos também a era da exposição virtual a todo momento, muito mais do que o currículo que uma pessoa envia para uma empresa, já é prática comum entrevistadores e psicólogos utilizarem essas fontes para entender o perfil do candidato. O fluxo será o mesmo, mas desta vez feito por robôs. Vale lembrar também que reviews de competências e a satisfação com trabalhos passados devem estar armazenados no Blockchain dentro de 10 anos, criando um sistema de review público no estilo Uber para todos os profissionais. ”

7) Assistente jurídico

Quando a profissão será automatizada: a partir de 2020
Justificativa dos especialistas: “soluções que utilizam inteligência artificial, apoiadas no Watson, da IBM, por exemplo, já conseguem realizar tarefas repetitivas de análise de processos e termos jurídicos com eficiência e precisão muito maiores do que quando as mesmas tarefas são realizadas por seres humanos. Advogados que executam atividades que dependem de interpretação e deduções subjetivas continuarão sendo cada vez mais valiosos, mas assistentes jurídicos, principalmente em início de carreira, que realizam as tarefas repetitivas inerentes à atividade jurídica, fatalmente, serão substituídos por soluções de inteligência artificial.”

8) Repórteres e jornalistas

Quando a profissão será automatizada: entre 2022 e 2025
Justificativa dos especialistas: “em termos objetivos, escrever não é exatamente um problema para a inteligência artificial. Desde 2014, a Associated Press usa softwares inteligentes para escrever relatórios quadrimestrais de faturamento. Segundo o The Verge, mais de 3.000 relatórios são produzidos por inteligência artificial a cada trimestre. Não é fora de propósito vislumbrar que sites de conteúdo poderão existir, no futuro próximo, sem nenhum humano envolvido na produção deste conteúdo.

9) Analistas financeiros

Quando a profissão será automatizada: 2027
Justificativa dos especialistas: “analistas capazes de avaliar as contas e as finanças de uma empresa já foram considerados indispensáveis pela sua capacidade de identificar tendências que poderiam causar impacto significativo no negócio em um piscar de olhos, permitindo ajustes temporais de estratégia ou portfólio que poderiam gerar bilhões em economia. Mas analistas humanos não conseguem mais competir com softwares de análise financeira que usam inteligência artificial e que podem ler e reconhecer tendências em dados históricos para prever movimentos futuros de mercados.”

10) Corretores de seguro e analistas de risco

Quando a profissão será automatizada: entre 2020 e 2025
Justificativa dos especialistas: “a quase totalidade do que corretores de seguro e analistas de risco fazem hoje já pode ser feito por computadores utilizando big data e machine learning. Realização de cotações, cálculos de prêmio e custos de apólice, avaliação de riscos individuais e coletivos, ganham em eficiência e robustez, em termos de base de dados de referência, quando softwares parametrizáveis colocam nas mãos do segurado as possibilidades de simulações e contratação dos seguros de forma automatizada. E, à medida em que novas ferramentas incorporem inteligência artificial, o processo decisório na realização de um seguro será completamente automatizado, tornando os profissionais em questão obsoletos.”

Por Camila Pati, 21 dez 2017, 15h00
Fonte: exame.abril.com.br