6 passos para conseguir um aumento de salário em 2018

O especialista em negociação pela Harvard Business School, Breno Paquelet, especificou quais são

Pedir Aumento

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Especialistas costumam dizer que o final do ano é a melhor época para se pedir um aumento de salário. Isso porque é o período em que os feedbacks normalmente são feitos e quando as empresas definem o orçamento para o próximo ano, o que cria uma boa oportunidade para o colaborador de abordar o assunto.

Este, entretanto, não deve ser o único fator considerado para ter uma conversa sobre negociação de salário, segundo o especialista em negociação Breno Paquelet, formado pela Harvard Business School: ainda é necessário que o colaborador “tenha sensibilidade para escolher o momento mais oportuno” para conversar com o gestor.

Para que as chances de sucesso sejam maiores, Breno recomenda também que o colaborador não tente negociar seu salário se estiver há menos de um ano na empresa, além de ter argumentos para “embasar” o pedido.

No geral, Breno afirma que é importante seguir cinco passos para ser bem-sucedido na negociação.

Confira a seguir quais são:

Tenha critérios objetivos para reforçar o pedido

Ao invés de ter como motivações para o pedido questões emocionais, é importante ter dados e informações concretas para que a conversa seja melhor fundamentada. Por isso, é importante: buscar informações sobre a média salarial em empresas do mesmo segmento, listar as realizações do último ano e quais os benefícios que trouxe para a empresa. É recomendável também trazer seu histórico dentro da empresa

Um bom argumento para justificar seu pedido é mencionar quais ganhos a empresa pode ter com eles. “Pense que a empresa vai decidir a favor do seu aumento pelos motivos dela”, disse o especialista, que recomenda que não sejam usados argumentos pessoais.

Não afronte

Breno explica que deve existir uma preocupação com o relacionamento entre gestor e funcionário no momento da negociação – e, considerando que o gestor tem preocupações que vão além do fator financeiro, é importante não dar ultimatos e confrontar sua decisão – portanto, expressões como “é isso ou nada” e “começarei a procurar outro emprego” são quase proibidas.
Mapeie todas as partes envolvidas Além de você e seu gestor, outras pessoas estão envolvidas no possível aumento de salário. A recomendação de Breno é: “Tente pensar em pessoas de confiança dele que poderão ser consultadas na avaliação de seu aumento e faça com que suas realizações cheguem ao superior do seu gestor informalmente, para que ele possa dar apoio ou pelo menos não vetar a questão”.

Aceite várias formas de pagamento

É importante pensar em outras formas de “pagamento” que façam sentido para você além do aumento de salário. Flexibilização no horário de trabalho, apoio em pagamento de parcelas, pagamento de curso, entre outras, são algumas delas

Não tente apressar a negociação

Dificilmente uma negociação de salário será fechada em uma única conversa, então evite retomar o assunto pouco tempo após a primeira conversa com seu gestor. Dê alguns dias para que ele pense no assunto e depois retome a conversa, ou deixe para que seu gestor o faça.

Fonte: Infomoney

A pior forma de pedir um aumento

Pedir um salário mais alto sempre é um movimento arriscado. Mas há um erro específico que realmente pode colocar tudo a perder.

Por Claudia Gasparini – EXAME.abril.com.br

Pedir aumento

Dinheiro (Uelder-ferreira/Thinkstock)

Pedir uma remuneração mais alta em tempos de desemprego galopante é uma tarefa para corajosos. Mas o sucesso de um pedido como esse, como ocorre com qualquer tipo de negociação, depende mais de planejamento do que de valentia.

Caio Arnaes, gerente da consultoria Robert Half, recomenda que a abordagem seja muito bem preparada.“O funcionário está com pouco poder de barganha neste momento, já que há muita gente disponível no mercado disposta a ganhar menos”, explica. Se você está insatisfeito com o que recebe, existem muitos candidatos que não estariam.

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Nesse cenário, uma conversa que sempre foi difícil acaba se tornando perigosa. Isso porque pedir um salário mais alto pode ser facilmente mal interpretado pelo empregador e, em casos extremos, até gerar uma demissão — a não ser que você fundamente muito bem sua solicitação.

Segundo Arnaes, os aumentos costumam ser concedidos em duas situações. A primeira é como “reparação”: você já cumpre funções de um nível hierárquico superior ao seu há algum tempo, mas ainda está com o seu cargo antigo. Nesse caso, a promoção e o aumento vêm como forma de alinhar a sua remuneração à sua situação atual — nada mais justo.

Outra razão para o reajuste é o mérito. Você traz resultados acima da média? Fez alguma ação que gerou uma redução de custos ou um importante ganho para a empresa? Se sim, é natural pedir reconhecimento por isso, explica o gerente da Robert Half.

Tanto em um caso quanto em outro, é preciso trazer dados objetivos para sustentar o seu pedido e reforçar a sua intenção em continuar no emprego.

“É importante dizer que você gosta de trabalhar naquela empresa, que tem intenção de permanecer, e que busca uma valorização salarial por tais e tais motivos”, diz Ricardo Karpat, diretor da consultoria Gábor RH.

Qual é a pior abordagem possível?

Os especialistas ouvidos por EXAME.com são unânimes na avaliação de que a forma mais perigosa de solicitar um salário mais alto é atrelar a decisão da empresa à sua permanência no cargo. Algo na linha da frase: “Ou vocês me dão o aumento, ou me demito”.

O erro é mais comum do que parece, e suas consequências podem ainda piores do que você imagina. Segundo Karpat, é provável que empregador se sinta acuado e não ceda à pressão. E o pior: mesmo que ele conceda o aumento como solução temporária, caso a sua função seja imprescindível para a empresa, é possível que comece a procurar o quanto antes um substituto para você.

Afinal, a relação de confiança terá sido quebrada. “A mensagem que fica de um ultimato é que você só está interessado no emprego por causa do salário”, explica o diretor da Gábor RH.

Não que a remuneração não seja uma contrapartida legítima do seu trabalho — mas é esperado que ela não seja a única razão para ficar ou ir embora.

A longo prazo, e diante do mercado como um todo, o profissional ficará com a pecha de negociante, no pior sentido da palavra. Para Karpat, a consequência de se dar um “xeque-mate” no empregador é mostrar que você não está realmente interessado nos objetivos e valores de uma empresa em particular, e que prefere leiloar o próprio trabalho.

Disso também decorre, segundo Arnaes, o risco de aceitar uma contraproposta. Quando você só permanece no seu emprego atual só porque a sua empresa vai “cobrir” o salário do outro possível contratante, conclui-se que a remuneração é, para todos os efeitos, a bússola da sua carreira.

É uma reputação a ser evitada, sobretudo porque as empresas não querem mais um funcionário movido exclusivamente a dinheiro. “Elas entendem que aquela pessoa vai abandonar o barco, num piscar de olhos, assim que aparecer uma oferta maior”, diz o gerente da Robert Half.

Fonte: EXAME

Pedir aumento

Você sabe pedir aumento?

Uma pesquisa da revista de negócios Business Insider, realizada em maio com 548 jovens profissionais, apontou que 82% deles não negociam o primeiro salário. As duas principais razões apontadas para isso são a insegurança e o desconhecimento da possibilidade de discutir o valor da remuneração. Mas essa atitude pode custar caro no longo prazo.

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Um levantamento do site americano Salary.com apontou que um profissional que não negocia seu salário pode deixar de ganhar 1 milhão de dólares ao longo de 45 anos de carreira. De acordo com o estudo, um aumento de apenas 11% no salário inicial e negociações de 4% a cada três anos seriam suficientes para garantir ao profissional esse acréscimo no contracheque.

Essa pequena vantagem salarial, aparentemente irrelevante, pode representar, no longo prazo, uma enorme diferença na remuneração e até no crescimento de carreira. A razão é um fenômeno observado pela primeira vez em 1968 pelo sociólogo americano Robert K. Merton — batizado de Efeito Mateus, em referência à passagem do Evangelho de São Mateus: “A todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”.

“É o que pode acontecer, por exemplo, quando dois restaurantes, A e B, muito próximos em preço e qualidade, são abertos. Por fatores aleatórios, A recebe no primeiro mês um pouco mais de clientes do que B, e obtém um faturamento maior.

Aos olhos dos investidores, o restaurante A se torna mais atraente e acaba por crescer mais do que B, que tinha as mesmas propriedades no início”, diz Samy Dana, da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas. Para Ana Karolyna Guedes, de 30 anos, gerente sênior de novos negócios da Eurofarma, de São Paulo, a negociação salarial fez toda a diferença em seu crescimento profissional.

“Tenho amigos da mesma idade e da mesma área que acabaram não crescendo no mesmo ritmo. Eu acredito que seja por essa postura tímida na negociação”, diz Ana.

A gerente iniciou a carreira como trainee e, já no primeiro ano de companhia, reivindicou o salário que acreditava merecer. Essa atitude foi mantida em outros empregos, o que lhe rendeu ganhos de até 200% em relação ao salário anterior. “Nunca tive medo de negociar. Sempre procurei me pautar por argumentos e por entregas que estava realizando”, diz Ana.

Questão cultural

A dificuldade de negociar o salário afeta principalmente as mulheres. Segundo uma pesquisa do site de empregos Catho, enquanto 36,1% dos homens rejeitam a primeira proposta salarial, apenas 24,1% das mulheres têm a mesma atitude. Por uma questão cultural, elas costumam ser menos agressivas na hora de negociar, um dos fatores que resultam na diferença salarial entre os gêneros no mercado de trabalho.

“A mulher acredita que será reconhecida pelos resultados e espera que o reajuste no salário venha naturalmente. Mas é preciso um maior protagonismo para não ficar em desvantagem no futuro”, diz Fabiana Nakazone, da Cia de Talentos, de recrutamento de trainees.

Apesar da insegurança inicial, negociar o salário pode ser simples, dizem os especialistas. “O hábito de negociar bem é um aprendizado. Todos podem desenvolver essa habilidade. Só é preciso clareza do cenário e saber quanto você vale”, diz Henrique Bessio, diretor da empresa de recrutamento Michael Page.

Fonte: exame.abril.com.br